Jovens que trabalham e estudam precisam de apoio para conciliar, diz pesquisa

Jovens que trabalham e estudam precisam de apoio para conciliar, diz pesquisa

O trabalho entra cedo na vida dos jovens brasileiros, mas conciliar a atividade profissional com os estudos exige apoio. É o que mostra a pesquisa Radar Jovem CIEE 2026, que ouviu pessoas de 14 a 28 anos e identificou que 50,1% dos respondentes estudam e trabalham simultaneamente. O levantamento, divulgado nesta semana, também cruza dados da PNAD Contínua do IBGE e revela um cenário desafiador: 6,2 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos estão fora da escola e do mercado de trabalho.

O estudo do CIEE reúne informações sobre comportamento, consumo e hábitos digitais de jovens urbanos, majoritariamente da rede pública e em fase de transição profissional. A idade média dos participantes é de 18,96 anos. Segundo os dados nacionais do primeiro trimestre de 2026, o Brasil tem 32,9 milhões de pessoas na faixa de 14 a 24 anos, o equivalente a 15,4% da população. Desse total, 12,8 milhões apenas estudam, 9,6 milhões somente trabalham e 4,3 milhões conciliam as duas atividades.

Os 6,2 milhões restantes, ou 18,7% dessa faixa etária, não estudam nem trabalham.

Metade dos jovens concilia estudo e trabalho

Na amostra do CIEE, a participação no mercado de trabalho cresce conforme a idade avança. Entre os respondentes de 14 a 17 anos, 65,2% apenas estudam e 34,5% conciliam estudo e atividade profissional. Já na faixa de 18 a 21 anos, o cenário se inverte: 57,5% estudam e trabalham, enquanto 32,7% somente estudam. Entre 22 e 25 anos, a combinação das duas atividades alcança 70,9%. Dos 26 aos 28 anos, permanece em patamar semelhante, com 70,3%.

Essa progressão etária indica que, à medida que os jovens amadurecem, a necessidade de renda e a busca por experiência profissional se intensificam. A pesquisa não detalha os motivos dessa transição, mas os números sugerem que o ingresso no trabalho é uma realidade precoce para muitos. A combinação entre formação e atividade profissional aparece nos dois sexos, mas é ligeiramente mais frequente entre as mulheres: 51,5% das respondentes estudam e trabalham, ante 48,2% dos homens.

Autonomia financeira cresce entre os jovens

Os dados de consumo também apontam para um processo de autonomia financeira entre os respondentes. Questionados sobre quem costuma pagar por suas compras, 54,5% afirmam arcar sozinhos com os gastos. Outros 27,4% dividem as despesas com os pais, enquanto 17,3% dependem dos pais ou responsáveis. Esse cenário reflete a importância do trabalho para a independência econômica dessa parcela da população.

A autonomia financeira, no entanto, não elimina os desafios de conciliar estudo e trabalho. A rotina dupla pode limitar o tempo disponível para atividades extracurriculares, como participação em feiras de carreira. Somente 21,3% dos participantes afirmaram ter frequentado feiras ou eventos de carreira no último ano. Embora o levantamento não relacione diretamente as barreiras a cada tipo de encontro, os obstáculos gerais para participar de eventos presenciais ajudam a compreender as dificuldades de acesso.

Preço e distância limitam acesso a eventos

O preço é apontado como principal impedimento para participar de eventos presenciais por 39,5% dos jovens. Distância e transporte aparecem em seguida, com 26,7%. Outros 19,2% preferem ficar em casa, 11,3% mencionam falta de companhia e 2% citam outras razões. Esses números evidenciam que, além da rotina de trabalho e estudo, fatores econômicos e logísticos dificultam o acesso a oportunidades de desenvolvimento profissional.

Os dados do Radar Jovem CIEE 2026 mostram que a conciliação entre estudo e trabalho é uma realidade para metade dos jovens ouvidos, mas também revelam lacunas significativas. A existência de 6,2 milhões de jovens fora da escola e do mercado de trabalho, conforme a PNAD Contínua, indica que políticas de apoio são essenciais para garantir que essa população tenha condições de se qualificar e ingressar no mundo profissional.

A fonte não detalhou quais medidas seriam mais eficazes, mas os obstáculos apontados na pesquisa sugerem a necessidade de investimentos em acessibilidade e suporte financeiro.

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