O setor de Recursos Humanos brasileiro chega a 2026 pressionado por duas frentes críticas: a persistente escassez de talentos e o agravamento da saúde mental dos trabalhadores. Dados de pesquisas recentes mostram que 80% dos empregadores no país relatam dificuldade para encontrar profissionais com as competências necessárias, ante 72% na média global. Além disso, mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais foram registrados em 2025, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Esses números delineiam um cenário desafiador para as organizações.
Escassez de talentos atinge 80% dos empregadores
A escassez de talentos permanece como o problema mais disseminado no mercado de trabalho brasileiro. O índice praticamente não recua há quatro anos: foi de 80% em 2023 e 2024, chegou a 81% em 2025 e voltou a 80% em 2026. Em empresas com mil a 4.999 funcionários, a dificuldade alcança 90%, evidenciando que o desafio é ainda maior em organizações de médio porte. A escassez, porém, não se limita ao conhecimento técnico. Ética profissional, comunicação, colaboração, adaptabilidade e pensamento crítico também aparecem entre as competências mais procuradas.
Diante desse cenário, 44% das empresas brasileiras afirmam priorizar programas de upskilling e reskilling, contra 27% globalmente, segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2026 do ManpowerGroup. Essa priorização reflete a urgência de desenvolver internamente as habilidades que faltam no mercado.
Saúde mental preocupa e afastamentos crescem 15%
O Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Ansiedade e depressão lideraram as ocorrências, segundo dados previdenciários divulgados pelo Conselho Federal de Enfermagem. A pesquisa Engaja S/A 2025, realizada pela Flash em parceria com a FGV EAESP, reforça o alerta. Entre os 5.397 profissionais ouvidos, 20% relataram sintomas diários de ansiedade e 18% disseram conviver diariamente com insônia ou depressão.
Esses números indicam que o bem-estar emocional se tornou uma questão central para a gestão de pessoas. A transição para o próximo tópico mostra como esse quadro afeta o engajamento.
Engajamento em queda e custos bilionários
Apenas 39% dos trabalhadores brasileiros foram classificados como engajados em 2025. Outros 54% estavam desengajados e 7%, ativamente desengajados. Em relação a 2024, o grupo de engajados diminuiu cinco pontos percentuais. A intenção de saída também permanece elevada: seis em cada dez brasileiros disseram ter pensado em deixar o emprego; 65% chegaram a se candidatar a outras vagas e 42% participaram de entrevistas com alguma frequência. O Engaja S/A estima que o turnover e o presenteísmo associados ao desengajamento custem R$ 76,9 bilhões por ano às empresas brasileiras.
Trata-se de uma estimativa econômica do estudo, e não de um valor contábil efetivamente registrado pelas organizações. No exterior, o quadro também preocupa: somente 20% dos profissionais estavam engajados globalmente em 2025, segundo a Gallup. O índice foi de 31% nos Estados Unidos e Canadá, 30% na América Latina e Caribe, 18% no Leste Asiático e apenas 12% na Europa.
Líderes sobrecarregados e com pouca eficácia
No Engaja S/A, 78% dos executivos e gestores intermediários relataram algum nível de ansiedade, enquanto 74% disseram sentir fadiga com frequência. A liderança foi a camada organizacional que mais perdeu engajamento entre 2024 e 2025. O fenômeno não é exclusivamente brasileiro: pesquisa do Gartner com 2.947 empregados e gestores encontrou 47% dos líderes trabalhando mais do que no ano anterior. O gestor médio gasta aproximadamente nove horas por semana tratando de problemas pessoais e emocionais dos subordinados.
Apesar dessa dedicação, somente 39% dos empregados consideram seus gestores eficazes ao oferecer feedback de desenvolvimento e 41% dizem receber ajuda adequada para definir prioridades. Os dados foram divulgados pelo Gartner. Essa sobrecarga sem efetividade contribui para o ciclo de desengajamento.
IA avança, mas preparação é desigual
Entre as organizações participantes da pesquisa de tendências do GPTW, 58,1% afirmaram utilizar IA de alguma maneira, mas somente 24% relataram uso intensivo. O RH aparece como uma das áreas com maior adoção, especialmente em recrutamento, clima organizacional, avaliação de desempenho e treinamento. Ao mesmo tempo, apenas 15,2% identificam familiaridade com IA entre as competências presentes em suas equipes. A tecnologia chega, mas nem sempre acompanhada de preparação, regras e redesenho do trabalho.
Globalmente, 54% dos profissionais disseram ter utilizado IA em suas funções no último ano, mas apenas 14% a usam diariamente. Entre os usuários diários, 92% relataram ganhos de produtividade, contra 58% entre os usuários ocasionais, segundo levantamento da PwC com quase 50 mil trabalhadores. Existe também uma desigualdade de acesso ao aprendizado: enquanto 72% dos executivos seniores dizem possuir recursos suficientes para seu desenvolvimento, o percentual cai para 51% entre os profissionais sem cargo de gestão.
Fonte
- mundorh.com.br
- Pesquisa de Escassez de Talentos 2026 do ManpowerGroup (www.manpowergroup.com.br)
- Conselho Federal de Enfermagem (www.cofen.gov.br)
- Engaja S/A estima (flashapp.com.br)
- Gallup (www.gallup.com)
- Gartner (www.gartner.com)





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