Oito em cada dez indústrias brasileiras conhecem o conceito de ESG em algum grau, segundo a Sondagem Especial ESG da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada com 336 empresas industriais. O dado sugere uma consciência elevada, mas os detalhes revelam um cenário mais complexo. Apenas 19% afirmam possuir ampla experiência e conhecimento. Outros 35% consideram que têm domínio razoável, enquanto 27% conhecem parcialmente o assunto, mas ainda apresentam dúvidas.
O porte exerce influência direta sobre esse estágio. Entre as pequenas indústrias, somente 5% declaram possuir ampla experiência. Nas médias, a proporção sobe para 14% e, nas grandes, chega a 38%. A distância também aparece na estrutura interna. No total, 43% das indústrias contam com uma área dedicada ao ESG. Entre as grandes, são 65%. O índice cai para 38% nas médias e 24% nas pequenas.
Maturidade varia conforme o porte da empresa
Os números evidenciam que a adoção de práticas ESG está diretamente ligada ao tamanho da operação. Enquanto grandes indústrias possuem mais recursos para estruturar áreas dedicadas, as pequenas ainda engatinham no tema. A diferença de 33 pontos percentuais na existência de área específica entre grandes e pequenas mostra um abismo de capacidade institucional. Essa disparidade se reflete na profundidade das ações e na integração do ESG à estratégia de negócio.
No mercado de capitais, a adesão voluntária ao Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 também ilustra o avanço. Na carteira de 2026, 69 das 89 companhias participantes foram selecionadas. A adesão demonstra que o tema ganhou espaço no mercado de capitais, embora a participação seja voluntária e não represente o universo empresarial brasileiro. A transição para uma agenda ESG mais madura ainda enfrenta barreiras estruturais, especialmente entre os menores negócios.
Pequenas empresas ainda priorizam ações pontuais
Entre os pequenos negócios, o desafio começa pela conscientização. Levantamento do Centro Sebrae de Sustentabilidade, divulgado pelo Sebrae, indica que somente 35% dos pesquisados conhecem as práticas sustentáveis. Mais de 63% realizam apenas ações pontuais, sem planejamento, ou não adotam iniciativas. Apenas 12,97% possuem projetos estruturados e monitorados. Esses dados reforçam a necessidade de apoio técnico e financeiro para que as micro e pequenas empresas avancem na agenda.
Segundo a CNI, 41% das médias indústrias divulgam resultados de sustentabilidade. Apesar do avanço, a maioria ainda precisa consolidar responsabilidades e integrar informações que permanecem separadas entre RH, jurídico, segurança do trabalho, operações, compras e finanças. A fragmentação de dados dificulta uma visão integrada do desempenho ESG e atrasa a tomada de decisão estratégica. A integração dessas áreas é um passo fundamental para a maturidade.
Prioridades ambientais focam em custos e operação
No pilar ambiental, as empresas brasileiras priorizam temas próximos da operação e dos custos. Gestão de resíduos é considerada relevante por 81% das indústrias, seguida por eficiência energética, com 69%, e uso da água, com 66%. A mitigação das emissões de gases de efeito estufa aparece com 31%. A adaptação às mudanças climáticas é mencionada por apenas 20%, sendo o tema ambiental menos valorizado. Essa hierarquia reflete uma abordagem pragmática, voltada para ganhos imediatos de eficiência e redução de despesas.
A baixa prioridade dada à adaptação climática pode indicar uma lacuna de percepção sobre riscos de longo prazo. Enquanto a gestão de resíduos e a eficiência energética geram retorno financeiro direto, os impactos das mudanças climáticas são menos tangíveis no curto prazo. Ainda assim, a pressão de investidores e consumidores pode alterar esse quadro nos próximos anos.
Dimensão social: RH tem papel central
A dimensão social é aquela em que o RH possui influência mais direta. Saúde e segurança ocupacional aparecem como prioridade para 84% das indústrias. Desenvolvimento profissional e relacionamento com clientes são citados por 65%, enquanto o respeito aos direitos humanos alcança 62%. Diversidade, equidade e inclusão são consideradas relevantes por 48%. Embora expressivo, o percentual mostra que quase metade das empresas ainda não trata o tema como prioridade.
O foco em saúde e segurança reflete obrigações legais e a cultura industrial brasileira. Já a diversidade, embora crescente, ainda não é vista como estratégica por uma parcela significativa das empresas. O RH, como guardião das políticas de pessoas, tem a oportunidade de impulsionar essa agenda, integrando-a aos indicadores de desempenho e à cultura organizacional.
Regulação brasileira migra para modelo voluntário
O cenário regulatório brasileiro também passou por uma mudança importante. A Comissão de Valores Mobiliários havia previsto que companhias abertas deveriam publicar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade com base nos padrões CBPS e ISSB a partir do exercício de 2026. Em maio de 2026, a Resolução CVM 244 retirou a obrigatoriedade. O reporte passou a funcionar no modelo voluntário de “pratique ou explique”.
As companhias que optarem pela divulgação devem seguir os padrões CBPS e ISSB e manter o reporte por, no mínimo, três exercícios consecutivos. As que não adotarem o modelo precisam comunicar sua decisão ao mercado. Essa flexibilização pode reduzir a pressão imediata sobre as empresas, mas também pode desacelerar a padronização das informações ESG no Brasil. A evolução da maturidade, portanto, dependerá cada vez mais da iniciativa voluntária e da pressão de stakeholders.
📄 Documentos Relacionados
- 📎 Sondagem Especial ESG da Confederação Nacional da Indústria (sondespecial_meioambientesocialegovernanca_set2025.pdf)
Fonte
- mundorh.com.br
- Sondagem Especial ESG da Confederação Nacional da Indústria (static.portaldaindustria.com.br)
- KPMG (kpmg.com)
- Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (borainvestir.b3.com.br)
- divulgado pelo Sebrae (meuatendimento.sebrae.com.br)
- Resolução CVM 244 (www.gov.br)





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