O novo Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2026, amplia metas de qualidade, equidade e aprendizagem. Para o colunista Laôr Fernandes de Oliveira, doutor em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o maior desafio continua sendo transformar a escola em um espaço capaz de formar cidadãos e profissionais para um mundo em rápida transformação. A afirmação foi feita em artigo publicado no portal Mundo RH.
Metas e mudanças concretas
Existe uma diferença importante entre definir metas e produzir mudanças concretas, segundo Oliveira. Os desafios da educação pública não são apenas pedagógicos, mas também sociais, econômicos e culturais. A principal inovação do novo PNE está em reconhecer que qualidade educacional não pode ser dissociada da equidade. A marca do novo plano é a redução das desigualdades.
O documento incorpora metas voltadas para populações indígenas, quilombolas, estudantes do campo, educação especial, educação bilíngue para surdos e redução das disparidades educacionais entre diferentes grupos sociais. Essas diretrizes buscam enfrentar as múltiplas dimensões da exclusão escolar.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Aprendizagem e empregabilidade
Existe um aspecto que merece atenção especial: a relação entre aprendizagem e empregabilidade. O debate público costuma tratar empregabilidade como um tema exclusivo do ensino técnico ou da formação profissional. No entanto, a base da empregabilidade é construída muito antes, começa quando a criança aprende a interpretar informações, resolver problemas, comunicar ideias, trabalhar em grupo e desenvolver autonomia intelectual.
O mercado de trabalho do século XXI procura indivíduos capazes de aprender continuamente. Quando o novo PNE estabelece metas para aprendizagem, educação integral, formação docente e educação digital, está discutindo desenvolvimento econômico, inovação, produtividade e futuro do trabalho, argumenta o especialista.
Impactos na formação dos jovens
O jovem que conclui a educação básica sem domínio adequado da leitura, da escrita, da matemática e das competências socioemocionais terá mais dificuldades para acompanhar qualquer formação profissional posterior. Por outro lado, estudantes que aprendem a investigar, argumentar, colaborar e persistir diante de desafios tendem a desenvolver maior capacidade de adaptação às transformações do mercado.
Sob essa perspectiva, a aprendizagem deixa de ser apenas um indicador educacional e passa a ser uma condição para a participação social e econômica. A verdadeira medida de sucesso do PNE não será apenas o cumprimento burocrático das metas ou a evolução dos indicadores oficiais, segundo Oliveira. Será a capacidade de formar uma geração de jovens que encontre na educação não apenas um caminho para concluir etapas escolares, mas uma ferramenta concreta para construir autonomia, dignidade, cidadania e oportunidades reais de trabalho.




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