IA chega antes do preparo e amplia desafios do RH

IA chega antes do preparo e amplia desafios do RH

A inteligência artificial já transforma o mercado de trabalho brasileiro, mas a preparação dos profissionais recém-formados ainda não acompanha essa velocidade. É o que aponta a pesquisa da Pearson e da AWS, que ouviu 500 participantes no país, entre estudantes, líderes do ensino superior e empregadores. O relatório “Preparação para a IA: Construindo a ponte entre o ensino superior e o mercado de trabalho no Brasil” revela um cenário de valorização da tecnologia, porém com lacunas significativas em experiência prática, maturidade, criatividade e responsabilidade ética.

Velocidade da IA supera preparo atual

Para 80% dos gestores de instituições de ensino brasileiras, as mudanças provocadas pela IA ocorrem de forma rápida ou extremamente rápida. Entre os empregadores, 76% acreditam que essa transformação ganhará ainda mais velocidade nos próximos dois anos. Apesar das dúvidas sobre o preparo oferecido pelas instituições, o estudo não identifica uma perda de relevância da formação acadêmica. Pelo contrário, 74% dos estudantes e o mesmo percentual de empregadores afirmam que a inteligência artificial torna a educação universitária ainda mais essencial.

Pouco mais da metade dos estudantes brasileiros, 52%, considera que está sendo bem ou razoavelmente bem preparada para um mercado de trabalho baseado em IA. O resultado fica abaixo da média de 61% registrada nos seis países analisados. A preferência por um modelo que una formação acadêmica e experiência prática aparece entre 53% dos estudantes, 52% dos empregadores e 49% dos líderes do ensino superior.

Competências valorizadas e lacunas evidentes

Entre os empregadores brasileiros, as duas competências mais importantes na contratação de recém-formados são a capacidade de utilizar ferramentas de IA e a compreensão de suas limitações e riscos. Cada uma foi mencionada por 44% dos entrevistados. A maturidade profissional é apontada como um desafio por 44% das empresas. Além disso, 34% percebem hábitos inadequados no uso da tecnologia, como confiança excessiva ou aceitação pouco crítica das respostas produzidas pela IA.

Mais da metade das empresas, 54%, considera que os profissionais formados recentemente estão mais preparados do que aqueles contratados cinco anos atrás. Apenas 16% avaliam que houve uma piora. A criatividade, entretanto, aparece como um ponto de atenção. Somente 18% dos empregadores classificam a criatividade e o pensamento inovador dos recém-formados como excelentes. A média dos mercados pesquisados é de 27%.

Governança frágil no uso acadêmico

A governança é uma das lacunas mais preocupantes identificadas pelo levantamento. Apenas 15% dos estudantes brasileiros afirmam conhecer claramente as orientações de suas universidades sobre o uso da inteligência artificial. Outros 42% dizem não ter conhecimento de qualquer regra institucional. Quase um terço dos estudantes, 30%, não se sente confortável com a possibilidade de os professores saberem como utiliza a IA. Somente 15% se dizem totalmente à vontade para revelar esse uso.

O próprio estudo mostra que regras claras podem mudar esse cenário. Entre os estudantes que conhecem as orientações de suas instituições, 73% afirmam confiar em sua capacidade de cumpri-las. O relatório também aponta que 63% dos líderes do ensino superior mantêm interações frequentes com empregadores. No entanto, apenas 29% contam com mecanismos formais e abrangentes para transformar essas conversas em informações sobre as competências exigidas pelo mercado.

Processos seletivos precisam evoluir

Dentro das empresas, os processos seletivos também precisam evoluir. Avaliações baseadas apenas no domínio de ferramentas podem favorecer candidatos que sabem produzir respostas rápidas, mas não necessariamente compreendem os riscos ou a qualidade do que foi gerado. Testes com problemas reais, análise crítica de conteúdos produzidos por IA, revisão de decisões automatizadas e comunicação das escolhas realizadas ajudam a identificar candidatos com preparo mais completo.

O estudo da Pearson e da AWS evidencia que a IA chegou antes do preparo adequado, ampliando os desafios para o RH brasileiro. As empresas precisarão ir além da checagem de habilidades técnicas e incorporar avaliações que contemplem ética, criatividade e capacidade crítica.

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2 respostas a “IA chega antes do preparo e amplia desafios do RH”

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