Em entrevista ao Mundo RH durante o CONARH 2026, Marcello Porto, Diretor de Produto e Inovação da LG lugar de gente, apresentou o conceito de uma camada agêntica capaz de operar sistemas de Recursos Humanos e assumir parte significativa do trabalho hoje realizado manualmente. Dessa forma, segundo o executivo, esse cenário já começa a sair do discurso e entrar na prática. Sobretudo, a inteligência artificial começa a assumir tarefas críticas de Folha, Recrutamento e People Ops, mudando o valor profissional dentro das empresas.
Principais pontos
- A camada agêntica pode reduzir em até 70% o esforço operacional em Folha e People Ops.
- Além disso, os agentes operam os sistemas de RH a partir de comandos em linguagem natural.
- O diferencial do profissional de RH deixa de ser o conhecimento técnico do sistema e passa a ser a capacidade de decidir.
- Por outro lado, a validação humana permanece necessária em processos sensíveis, como o pagamento de salários.
O que é a camada agêntica?
Porto afirmou que a tecnologia pode reduzir em até 70% o esforço operacional da área de Folha e People Ops. “Em vez de o profissional operar o sistema, os agentes operam”, explicou. Ademais, não se trata apenas de tarefas simples: entre os processos citados estão rescisões, FGTS, seguro desemprego, DIRF, eSocial, kits de admissão e desligamento e conferências de folha.
Por exemplo, atividades que antes consumiam horas podem ser realizadas em segundos. O executivo apresentou a camada agêntica como a responsável por essa transformação. Nesse sentido, a proposta é que os agentes recebam comandos em linguagem natural e executem as tarefas. Dessa forma, o profissional deixa de operar o sistema manualmente e passa a atuar em um nível mais alto de análise.
Na prática, a camada agêntica funciona como uma ponte entre o usuário e o sistema. Ou seja, ela recebe comandos em linguagem natural, interpreta a solicitação e executa as tarefas diretamente nas plataformas de RH. Portanto, o profissional não precisa mais navegar nas telas ou configurar cada rotina. Basta indicar o objetivo, e o agente cuida da operação. Em resumo, essa dinâmica libera o profissional de tarefas operacionais repetitivas.
Processos que podem ser automatizados
- Rescisões
- FGTS
- Seguro desemprego
- DIRF
- eSocial
- Kits de admissão e desligamento
- Conferências de folha
Usuário chave perde espaço no novo cenário
Durante anos, as empresas dependeram de profissionais que conheciam profundamente seus sistemas. Ou seja, eram pessoas que sabiam onde estava cada função, como configurar uma rotina e como resolver problemas dentro de plataformas complexas. Esse conhecimento criou o chamado usuário chave. Ademais, esses especialistas eram referência para as equipes e garantiam o funcionamento dos processos.
Para Porto, essa vantagem começa a perder força. No entanto, com agentes capazes de receber comandos em linguagem natural e executar tarefas, o diferencial deixa de estar em saber como operar uma ferramenta e passa a estar em saber o que precisa ser feito e por quê. O foco se desloca para a interpretação do negócio e para a tomada de decisão. Assim sendo, o profissional de RH deixa de ser um operador para se tornar um decisor. Isso significa que o conhecimento do sistema deixa de ser um diferencial competitivo.
Folha de pagamento ganha agilidade com agentes
Na folha de pagamento, por exemplo, o agente pode comparar valores, verificar regras, identificar divergências e sugerir ações. Além disso, Porto cita situações em que uma determinada verba deve ser paga apenas para colaboradores com dependentes. Nesse sentido, em vez de extrair dados, cruzar informações e montar planilhas, o agente pode verificar automaticamente quem atende à regra e apontar inconsistências. Ele concentra a conferência em um único fluxo, agilizando a identificação de casos excepcionais.
Consequentemente, o profissional recebe o problema já identificado. Isso muda a lógica da operação: o RH deixa de gastar energia procurando o erro e passa a decidir o que fazer diante dele. Além disso, o processo se torna mais direto e a automação contribui para reduzir o retrabalho. A velocidade de resposta às ocorrências aumenta, segundo o novo modelo apresentado. Por fim, o analista ganha tempo para revisar os casos mais críticos.
Validação humana segue necessária em decisões sensíveis
Apesar do avanço da automação, Porto considera que decisões sensíveis ainda precisam de validação humana. A inteligência artificial pode conferir, comparar, identificar anomalias e recomendar uma ação. A confirmação final, entretanto, continua com uma pessoa. “Em um processo como pagamento de salários, ainda existe uma confirmação do usuário”, afirma.
Governança, auditoria, segurança e responsabilidade passam a ser tão importantes quanto produtividade. Nesse contexto, o executivo destaca que esses elementos precisam acompanhar o avanço da automação. A supervisão humana segue como garantia de conformidade e ética nos processos. Portanto, esse cuidado é essencial para que o uso dos agentes de IA RH ocorra dentro de parâmetros seguros.
Em síntese, a entrevista no CONARH 2026 trouxe uma visão sobre o futuro do RH. Sobretudo, o uso de agentes de IA RH deve alterar o papel tradicional dos profissionais da área. Além disso, a combinação entre automação e validação humana parece ser o caminho indicado por Porto. A mudança, no entanto, deve vir acompanhada de uma nova cultura de governança e responsabilidade digital.





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