A verdade nas relações profissionais: escolha que transforma

O que chamamos de delicadeza

Lilian Giorgi, Managing Director da Alvarez & Marsal para a América Latina, observa que a omissão da verdade muitas vezes é revestida de boas intenções. “Chamamos isso de delicadeza”, afirma. No entanto, ela adverte: “Na prática, é covardia com boa intenção.”

A executiva sugere que, ao evitar dizer o que precisa ser dito, subestimamos a capacidade do outro de lidar com a realidade. Essa postura não é inofensiva: ela cria um padrão de comunicação que, a longo prazo, enfraquece a confiança e a transparência dentro das equipes. A fonte não detalhou exemplos específicos, mas a ideia central é clara: a suavidade excessiva pode ser um disfarce para a falta de coragem.

As pessoas aguentam a verdade

Giorgi compartilha um aprendizado pessoal: “Esse episódio me ensinou algo que nenhum framework de feedback consegue colocar em uma caixa: as pessoas aguentam a verdade.” Ela complementa: “O que elas não aguentam, e nunca vão aguentar, é perceber que foram tratadas como se não aguentassem.”

A declaração aponta para um paradoxo comum nas organizações: ao tentar proteger os colaboradores da verdade, acaba-se gerando um sentimento de desrespeito. A executiva sugere que a honestidade, mesmo quando difícil, é um sinal de consideração pelo outro.

Comunicar sem informar

Giorgi alerta para o risco de as culturas organizacionais se tornarem “especialistas em comunicar sem informar”. Isso ocorre quando as mensagens são tão polidas que perdem seu conteúdo real. “É assim que culturas inteiras se tornam especialistas em comunicar sem informar”, destaca.

Esse fenômeno, segundo ela, não é apenas um problema de comunicação, mas de valores. A fonte não especificou setores ou empresas, mas a crítica é aplicável a qualquer ambiente onde a forma prevalece sobre o conteúdo.

Tratar gente como adulto

Para Giorgi, a chave está na crença que temos sobre as pessoas. “Tratar gente como adulto é, antes de qualquer técnica, uma decisão sobre o que você acredita das pessoas.” Ela explica: “Se você acredita que elas quebram com a verdade, vai continuar dando voltas. Se você acredita que elas crescem com ela, vai encontrar as palavras certas, por mais difíceis que sejam, e vai dizer.”

Essa escolha, segundo ela, não está no resultado imediato. “A diferença entre as duas escolhas não está no resultado imediato. Está em quem você ajuda a se tornar.” A reflexão de Giorgi convida líderes e profissionais a examinarem suas próprias crenças e o impacto delas nas relações de trabalho.

Em suma, a verdade nas relações profissionais é apresentada não como uma técnica, mas como uma decisão ética. Ao optar pela transparência, mesmo que desconfortável, constroem-se ambientes mais maduros e respeitosos. A mensagem de Giorgi ecoa como um lembrete de que, muitas vezes, o silêncio fala mais alto do que as palavras — e nem sempre para o bem.

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