VA e VR acabam antes do mês: RH vai ignorar

VA e VR acabam antes do mês: RH vai ignorar

Os números fazem parte do Panorama do RH 2026 e colocam em xeque uma prática comum nas empresas: definir o valor do benefício com base no orçamento disponível, na convenção coletiva ou na comparação com o mercado, sem verificar se o crédito acompanha o custo real da alimentação. Quando VA e VR terminam antes do mês, o problema alcança a produtividade, a saúde, o engajamento e a percepção de justiça dentro da organização.

Redução expressiva na duração dos saldos

Apesar do aumento nominal, a duração dos saldos caiu de forma expressiva. Em 2023, o vale-refeição permanecia disponível por 26,2 dias. Em 2025, esse período recuou para 17 dias — redução de 35%. O auxílio-alimentação passou de 27,8 para 16,4 dias, queda de 41%. O vale-alimentação caiu de 24 para 15 dias, retração de 38%.

Se o valor aumenta, mas compra menos dias de alimentação, o benefício está perdendo efetividade. Vale-alimentação e vale-refeição estão entre os benefícios mais desejados pelos trabalhadores, em alguns recortes à frente até do plano de saúde. Para muitos profissionais, VA e VR funcionam como uma extensão concreta da renda e uma proteção contra a insegurança alimentar.

Impacto direto no colaborador

Se o benefício termina no dia 15, quem financia a alimentação até o fim do mês é o próprio colaborador. O levantamento da Caju mostra que alimentação representa cerca de 82% das transações analisadas. Categorias menos frequentes permanecem disponíveis por mais tempo: saúde, em média, por 18,3 dias, e cultura, por 20,6 dias.

A concentração reforça que alimentação não é apenas mais uma categoria dentro de um cartão multibenefícios. É uma despesa imediata, recorrente e inevitável. A existência de um cartão moderno, aplicativo eficiente ou ampla variedade de categorias não resolve o problema quando o saldo destinado à necessidade mais básica perde valor antes do fechamento do mês.

Critérios para definição do crédito

A definição do crédito precisa considerar custo regional, preço médio das refeições, modelo de trabalho, perfil familiar, frequência presencial e inflação dos alimentos. O Decreto nº 12.712/2025 reforçou que os recursos de VA e VR devem ser destinados exclusivamente à alimentação e estabeleceu novos parâmetros para taxas, repasses e funcionamento dos arranjos de pagamento.

Uma empresa pode celebrar economia na negociação com a operadora enquanto o colaborador perde poder de compra na ponta. Compliance é indispensável, mas conformidade não substitui suficiência. VA e VR influenciam atração, retenção, experiência do colaborador e reputação empregadora. Quando o vale acaba na metade do mês, não é apenas o cartão que fica sem saldo. É a promessa de cuidado da empresa que começa a perder valor.

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