Um levantamento recente realizado pela Espresso, fintech da Sankhya, revela que 41% dos profissionais do setor financeiro apontam o excesso de demandas como uma das principais dores da função. A sobrecarga de trabalho tornou-se um dos principais desafios enfrentados por profissionais da área financeira no Brasil. O estudo “Panorama de Despesas Corporativas” analisou mais de 4,5 milhões de despesas corporativas registradas ao longo de 2025 por cerca de 1.500 empresas.
Processos manuais e repetitivos
Os dados indicam que o problema não está relacionado apenas ao volume de trabalho, mas também à permanência de processos manuais, repetitivos e pouco integrados nas rotinas financeiras. Nas empresas, as equipes financeiras têm papel central no controle de processos, no cumprimento de regras internas, na gestão de despesas e no apoio à tomada de decisão. No entanto, parte significativa desses profissionais ainda dedica boa parte da jornada a tarefas operacionais, como conferência de comprovantes, validação de notas, conciliações, aprovações e ajustes administrativos.
Tesoureiros corporativos dedicam cerca de 25% do tempo a atividades tradicionais, como controle de liquidez e custo de capital. Apenas 16% da jornada dos tesoureiros corporativos é direcionada a decisões estratégicas. Esse desequilíbrio evidencia um gargalo operacional que compromete a eficiência e a capacidade de inovação das áreas financeiras.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Automação como alternativa
A automação aparece como uma das alternativas para reorganizar a rotina das áreas financeiras. O relatório cita levantamento da McKinsey, que aponta que empresas com áreas financeiras altamente automatizadas dedicam até 60% mais tempo a atividades estratégicas em comparação com organizações que ainda operam majoritariamente de forma manual. No entanto, a adoção de tecnologia não elimina a necessidade de análise humana. A implementação de novas ferramentas depende de governança, capacitação das equipes, integração entre sistemas e revisão de processos internos.
O estudo reforça que a modernização das áreas financeiras deixou de ser apenas uma agenda de eficiência operacional. A pesquisa da Gartner é citada no relatório e indica que 59% dos CFOs já utilizam algum tipo de inteligência artificial nas operações financeiras. Esse movimento sinaliza uma transformação em curso, mas que ainda enfrenta barreiras estruturais.
Custo humano invisível
O custo humano de uma gestão de despesas ineficiente não aparece no balanço. Retrabalho, atrasos e tarefas repetitivas afetam a produtividade, a motivação e a saúde dos profissionais. A sobrecarga acumulada, o tempo desperdiçado com retrabalho e a frustração de profissionais que passam o dia conferindo notinhas são custos humanos de uma gestão de despesas ineficiente. Esses fatores, embora intangíveis, têm impacto direto no clima organizacional e na retenção de talentos.
Diante desse cenário, a automatização de processos emerge como um caminho para aliviar a pressão sobre as equipes e liberar tempo para atividades de maior valor agregado. Contudo, a transição exige planejamento e investimento em capacitação, para que a tecnologia seja aliada e não mais um fator de estresse.




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