Um estudo global revela que os impactos econômicos dos transtornos mentais já somam US$ 5 trilhões por ano. O levantamento reforça a necessidade de uma atuação mais estratégica do RH diante das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que agora inclui a avaliação dos fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho.
NR-1 e riscos psicossociais
A atualização da NR-1 trouxe mudanças significativas. A norma exige que os empregadores avaliem riscos como estresse, assédio e sobrecarga de trabalho, que podem afetar a saúde mental dos colaboradores. Especialistas apontam que as organizações precisam evoluir de ações pontuais para modelos permanentes de prevenção, monitoramento e promoção da segurança psicológica.
Para Ana Menegotto, vice-presidente de Pessoas, Comunicação e ESG da Sodexo Brasil, o debate sobre saúde mental precisa avançar além de programas de assistência e benefícios isolados. “O papel do RH vai além da implementação de benefícios, atuando como articuladora entre lideranças, saúde ocupacional, comunicação interna e cultura organizacional”, afirma.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Abordagem preventiva é necessária
Ana Menegotto destaca que o desafio não é apenas oferecer suporte quando o problema já existe, mas construir ambientes que reduzam a probabilidade de adoecimento e fortaleçam a resiliência. A proposta é substituir a visão de que saúde mental depende exclusivamente de intervenções clínicas por uma abordagem preventiva baseada nas experiências cotidianas dos colaboradores. Para o RH, isso significa desenvolver políticas que promovam equilíbrio, pertencimento e qualidade de vida de forma consistente.
Iniciativas estruturadas na prática
Segundo Ana Menegotto, a Sodexo Brasil trabalha a saúde mental de forma estruturada há quase uma década. Em 2023, a companhia criou uma área dedicada à Saúde Integral e lançou o programa Você Bem, voltado ao bem-estar físico, emocional e social dos colaboradores. Antes mesmo das mudanças da NR-1, a organização já desenvolvia ações de prevenção e apoio psicológico.
Ana Menegotto afirma que saúde mental é um tema de sustentabilidade do negócio. A empresa realizou um Censo de Saúde Mental com mais de 25 mil colaboradores em parceria com a Vittude. Além disso, formou uma rede com mais de 50 Embaixadores e Socorristas de Saúde Mental. O Programa global de Liderança Empática tem meta de capacitar 100% das lideranças até 2027. A companhia também disponibiliza um canal de apoio 24 horas com suporte psicológico, financeiro, jurídico, social e nutricional. O programa de acolhimento para mulheres vítimas de violência de gênero já realizou mais de 500 atendimentos desde sua criação.
Saúde mental como estratégia de negócio
À medida que os riscos psicossociais ganham relevância regulatória e estratégica, cresce a percepção de que saúde mental não é responsabilidade apenas da área médica ou do colaborador individualmente. Para especialistas, as empresas que desejam fortalecer produtividade, engajamento, retenção de talentos e reputação precisarão incorporar o tema à cultura organizacional e aos modelos de liderança. Com a NR-1 ampliando a atenção aos fatores psicossociais, cuidar da saúde mental deixou de ser opção e passou a ser responsabilidade estratégica para a sustentabilidade dos negócios.




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