A partir da nova exigência no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, as empresas precisam tratar saúde mental, organização do trabalho e prevenção como parte formal da segurança ocupacional. A mudança está na NR-1, norma-base para o gerenciamento de riscos ocupacionais nas organizações. As Normas Regulamentadoras estabelecem obrigações, direitos e deveres para empregadores e trabalhadores, com o objetivo de garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis, prevenindo doenças e acidentes relacionados ao trabalho.
Saúde mental como obrigação formal
Para Plínio Pereira, gerente de Certificação de Sistemas de Gestão na TÜV Rheinland, a mudança exige que as empresas deixem de tratar saúde mental apenas como pauta de campanhas internas. O ponto central passa a ser a capacidade de mapear riscos, estabelecer planos de ação, acompanhar indicadores e comprovar a efetividade das medidas adotadas. A saúde mental deixa de ser um tema periférico e ganha status de risco ocupacional a ser gerido com método e evidências.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Método e documentação obrigatórios
O cumprimento da norma depende de método. A empresa precisa identificar perigos, avaliar a probabilidade e a severidade dos riscos, classificar prioridades, definir medidas de prevenção, implementar planos de ação e acompanhar os resultados. Esse processo deve estar documentado e disponível para gestores, trabalhadores e fiscalização, quando necessário. A abordagem sistemática busca garantir que a gestão dos riscos psicossociais seja tão rigorosa quanto a de riscos físicos ou químicos.
Fatores que exigem atenção
Entre os exemplos de fatores que podem exigir atenção estão:
- Assédio moral ou sexual
- Metas incompatíveis
- Sobrecarga de trabalho
- Baixa clareza sobre funções
- Falta de reconhecimento
- Ausência de suporte da liderança
- Pouca autonomia
- Injustiça organizacional
- Conflitos recorrentes
- Comunicação inadequada
- Eventos traumáticos
- Condições associadas ao trabalho remoto ou isolado
A lista, embora extensa, não é exaustiva e cada organização deve identificar seus próprios riscos com base na realidade do trabalho.
Escuta ativa dos trabalhadores
A participação dos trabalhadores também ganha relevância. A escuta ativa das equipes, da CIPA, quando houver, dos representantes dos trabalhadores e das lideranças ajuda a compreender como o trabalho é realmente executado e quais fatores podem gerar adoecimento. Sem essa escuta, o risco é produzir documentos formais desconectados da prática cotidiana. A norma, portanto, valoriza o conhecimento prático de quem vivencia o dia a dia laboral.
Impacto na medição de eficiência
A mudança também pode alterar a forma como as organizações medem eficiência. Ambientes com alto nível de adoecimento, absenteísmo, rotatividade, conflitos e sobrecarga podem gerar perdas relevantes para o negócio. Ao exigir que riscos psicossociais sejam tratados dentro do sistema formal de prevenção, a NR-1 aproxima saúde ocupacional, produtividade, gestão de pessoas e governança corporativa. A saúde mental passa a ser vista como fator de competitividade e sustentabilidade empresarial.
Desafio da implementação prática
Para as empresas, o desafio está em transformar a exigência regulatória em prática de gestão. Isso significa revisar o PGR, atualizar inventários de risco, capacitar lideranças, fortalecer canais de escuta, registrar medidas preventivas, acompanhar indicadores e avaliar continuamente se as ações adotadas estão reduzindo os riscos identificados. A transição do discurso para a ação concreta é o principal obstáculo a ser superado pelas organizações.
Fonte
- mundorh.com.br
- Norma Regulamentadora nº 1 (www.mundorh.com.br)





Deixe um comentário