Parentalidade, voluntariado, esportes e projetos pessoais podem desenvolver habilidades valorizadas pelas empresas, mas ainda encontram pouco espaço nos currículos e processos seletivos. Uma pesquisa publicada em 2023 pela IU International University of Applied Sciences, da Alemanha, ouviu 4.480 trabalhadores e analisou as habilidades que pais e mães associam à experiência da parentalidade. Os resultados indicam que responsabilidades pessoais podem funcionar como espaços de aprendizagem e desenvolvimento comportamental.
Parentalidade revela competências
A pesquisa identificou diferenças relevantes entre homens e mulheres na divisão dos cuidados e nos impactos da parentalidade sobre a carreira. Os homens reconheceram ganhos em percentuais menores: 41,1% citaram organização, 41% gestão do tempo e 43,2% paciência. Os resultados são baseados na percepção dos próprios participantes e, isoladamente, não comprovam desempenho superior no trabalho. Ainda assim, os dados apontam que a parentalidade pode ser uma fonte de desenvolvimento de competências comportamentais.
Diferenças de gênero na percepção
As mulheres, por sua vez, relataram percentuais mais altos nas mesmas habilidades, o que pode refletir a maior carga de cuidados ainda atribuída a elas. A pesquisa não detalha os números femininos, mas a diferença sugere que o contexto de cuidado influencia o autoconhecimento sobre competências.
Mercado ainda resiste
Para Kauã Leandro, gerente de Novos Negócios do Trabalha Brasil, o mercado avançou na valorização das competências comportamentais, mas ainda precisa ampliar a compreensão sobre os contextos nos quais elas são desenvolvidas. Leandro observa que muitas habilidades procuradas pelo mercado são construídas em situações cotidianas que exigem responsabilidade, resolução de problemas e adaptação constante. Ele afirma que essas competências não surgem exclusivamente dentro das organizações.
Como incluir no currículo
Um dos obstáculos para o reconhecimento dessas habilidades está na forma como elas são apresentadas. Informar apenas que pratica um esporte, realiza trabalho voluntário ou cuida de familiares não demonstra, por si só, que determinada competência foi desenvolvida. No currículo, essas vivências podem ser incluídas em seções como projetos, voluntariado, atividades complementares ou experiências relevantes. A descrição deve destacar responsabilidades e entregas, sem expor informações pessoais além do necessário.
Dicas práticas para descrever vivências
- Use verbos de ação: “coordenei”, “organizei”, “liderei”.
- Relacione a atividade a competências: “voluntariado em abrigo desenvolveu empatia e resolução de problemas”.
- Mantenha o foco em resultados, não apenas na atividade.
Benefícios para profissionais e empresas
Para os profissionais, reconhecer esse repertório permite apresentar a própria trajetória de forma mais completa. Para as empresas, considerar experiências acadêmicas, profissionais e pessoais pode ampliar o acesso a talentos que não seguem percursos tradicionais. Vivências pessoais não substituem automaticamente a experiência exigida para uma função, mas também não deveriam ser descartadas. Quando acompanhadas de exemplos concretos, vivências pessoais podem revelar competências que o histórico formal, sozinho, nem sempre consegue mostrar.





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