Gestão de bem-estar no RH ainda é desafio

Gestão de bem-estar no RH ainda é desafio

O bem-estar já ocupa a agenda de recursos humanos, mas transformar ações isoladas em estratégia de gestão ainda é um obstáculo. Levantamento produzido pela primeira edição do Prêmio RH de Bem-Estar, iniciativa da TotalPass em parceria com a Pin People, reuniu 567 empresas de mais de 30 segmentos. Os dados revelam que, apesar da ampla oferta de iniciativas, a estruturação dessas políticas permanece incipiente.

Bem-estar na agenda do RH

Os números mostram que a discussão sobre bem-estar já chegou às empresas. De acordo com o levantamento, 100% das organizações consultadas informaram possuir ações de bem-estar físico. Em relação à dimensão emocional, 97% têm iniciativas, e 93% desenvolvem ações ligadas ao aspecto social. Ao mesmo tempo, os afastamentos previdenciários por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais passaram de 188.138 em 2021 para 559.983 em 2025, crescimento de aproximadamente 198% em cinco anos. Esse aumento expressivo reforça a urgência de uma atuação estruturada.

Os dados indicam que a discussão sobre bem-estar já chegou às empresas. Ao mesmo tempo, o levantamento aponta uma diferença importante entre oferecer iniciativas e efetivamente administrar uma estratégia de bem-estar. O contraste entre a alta oferta de ações e a baixa formalização de políticas é um dos destaques do estudo.

Gestão formal ainda é exceção

Segundo o levantamento, 40% das organizações participantes não possuem uma política formal de bem-estar. Além disso, 40,3% não monitoram as iniciativas ou realizam esse acompanhamento apenas de maneira reativa. Sem indicadores e governança, o bem-estar corre o risco de permanecer como um conjunto de ações isoladas. A falta de tempo foi apontada por 44% das empresas como a principal barreira para adesão às iniciativas disponibilizadas aos colaboradores. Além disso, apenas 11% indicaram possuir líderes diretamente responsáveis pela criação de novas práticas.

Frederico Lacerda, CEO e cofundador da Pin People, afirma que os dados do benchmark mostram que o bem-estar se tornou um tema relevante de gestão. “O próximo estágio de maturidade das empresas passa por organizar aquilo que já está sendo oferecido”, destaca. Ele acrescenta que o próximo passo não é oferecer mais benefícios, mas estruturar o que já existe, com liderança engajada, governança e indicadores claros. A declaração do executivo reforça a necessidade de avançar da oferta de ações para a construção de políticas consistentes.

Essa deficiência na gestão aponta para a necessidade de mudança de postura nas organizações. As empresas precisam avançar da oferta de benefícios para a construção de políticas formais. A falta de indicadores e a baixa participação das lideranças são pontos críticos a serem superados. Sem isso, o bem-estar continuará refém de ações pontuais.

Os números sobre políticas formais e monitoramento evidenciam esse gargalo. A falta de indicadores compromete a avaliação das iniciativas. A governança é, portanto, um ponto de atenção. Esse ponto é decisivo para que o bem-estar saia do campo das intenções.

Prêmio reconhece boas práticas

Foi nesse contexto que a primeira edição do Prêmio RH de Bem-Estar reconheceu organizações que vêm incorporando práticas de bem-estar à cultura e à gestão de pessoas. A premiação foi realizada em 5 de agosto. A iniciativa é da TotalPass em parceria com a Pin People.

O projeto destacou cinco empresas vencedoras. Além disso, produziu um levantamento sobre o grau de maturidade das estratégias de bem-estar das participantes. A pesquisa é uma das entregas do prêmio e oferece um diagnóstico do setor. O diagnóstico, por sua vez, aponta caminhos para as organizações que desejam avançar.

Felipe Calbucci, CEO Latam da TotalPass, afirmou que, quando o bem-estar faz parte da cultura e das decisões da empresa, ele deixa de ser uma ação pontual e passa a transformar a experiência de trabalho. Para ele, reconhecer organizações que avançaram nessa agenda pode estimular outras empresas a desenvolver iniciativas mais estruturadas e conectadas às necessidades dos colaboradores. A avaliação dele reforça o papel do reconhecimento no incentivo às boas práticas. As palavras do executivo ecoam os dados do levantamento, que apontam a gestão como o próximo passo.

O caminho para a maturidade, portanto, exige estruturação e liderança, conforme indicam os especialistas ouvidos. Os números mostram que o primeiro passo já foi dado: a conscientização sobre a importância do bem-estar. O desafio agora é consolidar a gestão, com políticas formais, indicadores claros e líderes engajados. A premiação, ao destacar boas práticas, contribui para difundir esse movimento. A transformação passa por reconhecer que o bem-estar é uma questão de gestão.

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