O palestrante e sócio-diretor da Fluxus Educação, Luciano Santos, acaba de lançar uma obra que reúne 23 profissionais para defender uma tese central: carreira não é sorte, é ação. Em “Carreira é sorte ação”, o autor convida executivos, especialistas e empreendedores a revelar decisões, erros e aprendizados que mudaram suas trajetórias profissionais. A proposta é mostrar, por meio de relatos reais, que o desenvolvimento profissional depende menos do acaso e mais de escolhas conscientes.
Luciano Santos já havia contado sua própria história profissional em “Seja Egoísta com sua Carreira”. O novo livro nasceu de uma convicção que ele carrega até hoje: compartilhar dores, erros e aprendizados pode encurtar caminhos para quem ainda está tentando entender a própria trajetória. A obra, portanto, não é apenas uma coletânea de casos de sucesso, mas um guia prático construído a partir de experiências concretas.
Um livro útil, não apenas inspirador
Mais do que reunir relatos inspiradores, Luciano queria construir um livro útil. Por isso, cada capítulo parte de uma dor profissional concreta, apresenta o problema que pode estar por trás dela e propõe caminhos para enfrentá-lo. A lógica é quase sempre a mesma: primeiro vem a experiência; depois, o aprendizado; por fim, a ação. Essa estrutura busca oferecer ao leitor ferramentas para aplicar os insights em sua própria carreira.
“São 23 seres humanos incríveis para os quais eu olhava e pensava: eu leria um livro dessa pessoa”, conta Luciano na abertura da obra. A seleção dos coautores reflete a diversidade de trajetórias e setores, o que amplia o alcance dos aprendizados. A transição para o próximo tema mostra como uma dor específica pode levar a uma virada profissional.
Quando a carreira não reflete a vida desejada
Em um dos capítulos, um profissional relata que levou anos para perceber que havia construído uma carreira admirada pelo mercado, mas distante da vida que desejava viver. Sua agenda respondia a expectativas externas, não às próprias escolhas. Depois de quase um ano de reflexão, decidiu sair. A mudança não veio acompanhada de certezas imediatas, mas de uma decisão: assumir a autoria da própria trajetória.
“Quando você faz isso, o eixo muda. Sua experiência, visão e forma de criar valor passam a fazer parte da negociação. E, ao deixar de negociar o que é essencial para quem você é, sua densidade profissional se modifica”, relata o coautor. Ele complementa com uma afirmação que resume sua postura: “Se for para trabalhar, que seja com minha melhor e mais humana versão”. Esse relato ilustra como a clareza pode surgir após a decisão, não antes.
Trajetórias não lineares ganham coerência
Há também histórias de trajetórias pouco lineares. Profissionais que mudaram de área, função e direção diversas vezes e, por anos, enxergaram essas transições como sinal de fracasso. Uma das autoras transforma essa percepção em aprendizado: quando o profissional para de negar sua própria jornada e passa a compreendê-la, inclusive com erros e arrependimentos, a trajetória deixa de parecer aleatória e começa a ganhar coerência.
Ela relata uma experiência em que percebeu ser tratada de maneira diferente por ser mulher. Insistir apenas em entregar mais não resolveria o problema. “Foi a partir daí que estruturei um RH com papel real de governança, com critérios explícitos de progressão e políticas que tiravam as decisões da esfera do ‘caso a caso’ para um campo técnico e transparente”, conta. Essa mudança estrutural demonstra que ação intencional pode transformar contextos adversos.
Ação com direção, não impulso
A carreira não avança apenas porque alguém trabalha muito. Também não se transforma porque uma oportunidade aparece inesperadamente. Há circunstâncias externas, evidentemente, mas existe uma parcela da trajetória que depende de decisão, repertório, posicionamento e movimento. Um dos principais argumentos de “Carreira é sorte ação” é que muitos profissionais esperam ter clareza absoluta antes de tomar uma decisão.
Em muitos momentos, a clareza aparece depois que a pessoa começa a agir. Isso não significa tomar decisões impulsivas. O livro também alerta para o risco da ação sem direção. O movimento precisa estar ligado a intenção, contexto e estratégia. Para Luciano, construir uma carreira significa assumir progressivamente as rédeas da própria trajetória: entender identidade, reconhecer pontos fortes, mapear lacunas, valorizar a própria história e decidir conscientemente quais concessões fazem ou não sentido.
Com essa abordagem, “Carreira é sorte ação” se posiciona como um convite à reflexão e à prática. A obra reúne vozes que, em diferentes contextos, chegaram à mesma conclusão: a carreira se constrói com decisões e atitudes, não com espera passiva.





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