Novo desafio: medir e engajar a saúde mental no trabalho

Novo desafio: medir e engajar a saúde mental no trabalho

No CONARH 2026, Juliano Ballarotti, General Manager da Wellz, do Wellhub, defendeu que as empresas avancem do discurso de cuidado para uma estratégia capaz de ampliar acesso, acompanhar resultados e transformar a saúde emocional em parte da gestão. “Você tem que cuidar? Tem. Mas também tem que medir”, resumiu o executivo em entrevista ao Mundo RH. Para Ballarotti, oferecer cuidado já não basta: o RH também precisa saber se as pessoas estão usando os recursos, se estão melhorando e qual impacto o investimento produz.

O desafio da medição

A saúde mental ganhou espaço definitivo na agenda do RH. Agora, o desafio é descobrir o que realmente funciona. Para Ballarotti, identificar riscos pode levar a uma conclusão difícil: há muita gente precisando de apoio. Assim, é preciso sair do discurso e investir em uma estratégia com métricas claras.

Ações pontuais mostram seus limites. Em uma empresa com centenas ou milhares de colaboradores, o RH não consegue tratar cada caso individualmente nem depender apenas de intervenções realizadas quando o problema já apareceu. Nesse contexto, a escala torna-se uma das principais preocupações da área.

Para acompanhar resultados, é necessário medir:

  • Adesão aos serviços oferecidos;
  • Evolução dos indicadores de saúde emocional;
  • Impacto do investimento no negócio.

Escala e eficiência

Para o RH, existe outra questão: escala. “Você precisa de soluções que funcionem para todas as pessoas, mas que também sejam eficientes”, afirmou Ballarotti. O executivo ressalta que a eficiência passa também pelo retorno financeiro. O desafio é conciliar cuidado personalizado com escala.

Ballarotti observa que a área de Recursos Humanos está mais orientada a números. Ela começa a cobrar indicadores sobre investimentos em saúde emocional, inclusive análises de retorno sobre investimento, o ROI. Ou seja, é preciso demonstrar, com dados, que o cuidado gera impacto para as pessoas e para o negócio.

A plataforma da Wellz

A Wellz busca ocupar esse espaço com uma plataforma de saúde emocional voltada ao mercado B2B. A solução reúne diferentes recursos para atender a cada colaborador.

Recursos oferecidos

  • Terapia individual;
  • Sessões coletivas;
  • Terapia por chat;
  • Conteúdos e ferramentas como diário de humor.

Assim, cada pessoa pode encontrar um ponto de partida que faça sentido para o seu momento.

Engajamento contínuo

Existe um obstáculo conhecido por quem trabalha com benefícios: disponibilizar uma solução não significa que o funcionário vá utilizá-la. É possível contratar uma plataforma, enviar um comunicado para toda a empresa e, meses depois, descobrir que boa parte dos colaboradores sequer lembra que o serviço existe. Para Ballarotti, o erro está em tratar o engajamento como uma campanha de lançamento. “Não adianta você comunicar uma solução, mandar um e-mail”, disse.

Estratégia de engajamento da Wellz

Na Wellz, a estratégia começa pela variedade das jornadas. Algumas pessoas preferem terapia individual. Outras podem se sentir mais confortáveis em sessões coletivas, pelo chat ou simplesmente começando por conteúdos e ferramentas de autoconhecimento.

Depois, vem uma tarefa menos visível e muito mais longa: comunicar continuamente. “O trabalho de engajamento é um trabalho que nunca acaba”, afirmou. O objetivo é fazer com que o benefício seja realmente utilizado.

A empresa mantém uma equipe dedicada ao chamado Client Engagement, responsável por acompanhar a adesão e desenvolver ações com os clientes ao longo do tempo. Datas como Setembro Amarelo e Outubro Rosa podem abrir conversas, mas a lógica é não depender apenas delas. A comunicação precisa ser mantida durante todo o ano, e não apenas em momentos simbólicos.

Responsabilidade do RH

Talvez essa seja uma das mudanças mais importantes para o RH. Cuidar da saúde emocional continua sendo uma questão humana, mas está deixando de ser tratado apenas como uma ação de acolhimento. Absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e custos médicos colocaram o tema também dentro da discussão sobre sustentabilidade dos negócios.

Para o RH, isso significa uma responsabilidade maior. Transformar saúde emocional em parte da gestão é, portanto, uma necessidade para as empresas.

Não basta contratar. É preciso identificar riscos, ampliar acesso, acompanhar adesão, medir resultados e entender se o cuidado chega justamente a quem mais precisa. Quando o assunto é saúde mental no trabalho, ter uma solução disponível é apenas o começo. Fazer com que ela realmente faça diferença é a parte mais difícil. O cuidado com a saúde emocional é uma questão humana, mas também precisa ser gerido como parte do negócio.

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