Em um cenário em que a saúde interfere na produtividade, afastamentos, retenção e custos assistenciais, a Conexa leva ao CONARH 2026 uma provocação para o RH: deixar de enxergar o bem-estar como simples lista de benefícios e incorporá-lo às decisões estratégicas das empresas.
A defesa é de Maria Barreto, VP da Conexa, que participa do evento com a mensagem de que a saúde corporativa precisa ocupar espaço na agenda de negócio. Ademais, os números apresentados pela companhia reforçam a necessidade de mudança.
Saúde como variável de negócio
Durante o CONARH, a Conexa propõe uma virada de chave. Nesse sentido, “A mensagem central que levamos ao CONARH é que saúde deixou de ser um item de folha de pagamento para se tornar uma variável de negócio”, afirma Maria.
Para a executiva, ainda existe uma distância importante entre reconhecer a relevância do tema e dar prioridade a ele no dia a dia das organizações. Em vista disso, “É esse gap entre convicção e mandato que queremos ajudar o RH a fechar”, diz. No fim, em resumo, a mensagem levada pela executiva ao evento é simples: saúde pode continuar sendo um benefício, mas já não pode ser administrada apenas como benefício.
Pesquisa revela distância entre discurso e prática
Com efeito, os dados da pesquisa Sonhos do RH, realizada pela Conexa com profissionais de diferentes regiões do país, escancaram essa lacuna. Segundo o levantamento:
- Por exemplo, 80% reconhecem que saúde e bem-estar impactam os resultados do negócio.
- Por outro lado, 71% afirmam que o assunto ainda recebe prioridade baixa ou moderada nas empresas.
Em vez de campanhas pontuais, a companhia defende que o tema seja tratado como parte da gestão cotidiana. Dessa forma, a pesquisa serve de ponto de partida para o debate levado ao CONARH.
NR-1 amplia responsabilidade das empresas
A atualização da NR-1 aumenta a pressão para que empresas tratem riscos psicossociais de forma mais estruturada. Assim sendo, a norma transforma saúde mental em responsabilidade estratégica, ampliando o papel das organizações e do RH.
Burnout e riscos psicossociais
Na pesquisa da Conexa, o burnout aparece como preocupação para 47% dos RHs; saúde mental e emocional é citada por 29%. Ademais, riscos psicossociais e NR-1 aparecem para 16%.
Para Maria Barreto, o desafio é impedir que a discussão fique restrita ao cumprimento formal de normas. Para tanto, no CONARH, a companhia leva debates sobre como transformar saúde mental em práticas permanentes de prevenção e como envolver lideranças nesses programas.
Nesse contexto, a NR-1 leva saúde mental à rotina das empresas, fazendo com que prevenção e acompanhamento saiam das campanhas pontuais e entrem na gestão cotidiana. Além disso, essa preocupação já aparece em outras discussões acompanhadas pelo Mundo RH, como na reportagem “NR-1 transforma saúde mental em responsabilidade estratégica das empresas e coloca RH no centro da prevenção”.
Sinistralidade pede cuidado antecipado
Além da saúde mental, a Conexa chama atenção para a necessidade de olhar a sinistralidade de forma preventiva. Para Maria, controlar sinistralidade não deveria significar simplesmente restringir acesso, mas identificar problemas antes que se tornem mais graves e caros. Ou seja, “Sinistralidade não se resolve reduzindo acesso, mas antecipando o cuidado”, afirma.
A estratégia da companhia envolve prevenção, telemedicina, coordenação assistencial e uso de informações populacionais para identificar tendências.
O tema dialoga com uma pressão crescente sobre os orçamentos de benefícios, já discutida pelo Mundo RH em “O dia em que o RH foi comprar um plano de saúde”. Nesse sentido, a reportagem mostrou que sinistralidade e custos assistenciais desafiam a gestão dos benefícios. Dessa forma, para a Conexa, o caminho é usar dados para antecipar necessidades, em vez de reduzir o acesso ao cuidado.
Ludopatia entra no radar do RH
Por sua vez, outro assunto menos tradicional chega ao CONARH: ludopatia. Nesse levantamento da Conexa, realizado a partir de mais de 250 mil consultas de psiquiatria entre janeiro de 2025 e julho de 2026, foram identificados 545 diagnósticos relacionados ao transtorno do jogo. Ademais, o número representa crescimento de 325% na participação desses casos. Sobretudo, quase 80% dos diagnosticados tinham entre 26 e 45 anos.
Para Maria, isso coloca o problema diretamente no radar das empresas, porque pode se refletir em endividamento, saúde emocional, relacionamentos e desempenho profissional. Nesse sentido, o impacto já foi mostrado pelo Mundo RH, que noticiou como as bets podem endividar funcionários, gerar faltas e acender um alerta nas empresas. Portanto, apostas começam a produzir impactos financeiros, emocionais e profissionais, exigindo atenção do RH.
Dados de saúde a favor da prevenção
Além disso, a Conexa leva ao evento o debate sobre utilização de dados de saúde. Dessa forma, Maria defende que informações agregadas e anonimizadas podem ajudar o RH a compreender tendências e justificar investimentos sem acessar dados individuais dos trabalhadores.
Nesse contexto, “A lógica não é vigiar o colaborador. É dar ao RH visibilidade de tendências para agir de forma preventiva, sem comprometer a confiança que sustenta a experiência do colaborador”, afirma.
Portanto, essa abordagem, somada às discussões sobre NR-1, sinistralidade e ludopatia, reforça a ideia central levada ao CONARH: saúde é um ativo estratégico, e não apenas um item de despesa. Para a Conexa, o conjunto de debates aponta na mesma direção — com dados, prevenção e envolvimento das lideranças, o RH ganha condições de transformar convicção em mandato. Em suma, a provocação fica para o mercado.





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