Futuro do trabalho do iFood: cultura e IA em livro

Futuro do trabalho do iFood: cultura e IA em livro

Durante o CONARH 2026, Raphael Bozza, executivo do iFood, concedeu entrevista ao Mundo RH e apresentou o livro “Código Aberto, o jeito iFood de trabalhar”. A obra reúne experiências, erros e aprendizados construídos ao longo de cerca de 15 anos. O objetivo é mostrar como a cultura da empresa acontece na prática, sem esconder falhas.

Livro expõe bastidores da cultura

Segundo Bozza, a publicação não pretende contar a história institucional do iFood. A ideia é abrir os bastidores e mostrar os mecanismos usados para transformar valores em comportamentos, decisões e formas de trabalhar. Em vez de apresentar um modelo pronto ou uma cultura perfeita, o livro também compartilha o que não funcionou.

“A ideia de Código Aberto é abrir o nosso livro mesmo, abrir o que é a realidade, quais são os nossos erros, os nossos aprendizados, os nossos mecanismos e o nosso jeito”, afirmou Bozza ao Mundo RH. O executivo deu um spoiler do conteúdo, que pretende mostrar como a cultura da empresa acontece na prática.

A obra foi pensada para profissionais, lideranças, empresários, empreendedores e também pessoas em início de carreira. A intenção é que o leitor consiga tirar dessas experiências ideias que façam sentido para sua própria realidade.

A escolha do nome “Código Aberto” chama atenção em um mercado no qual empresas normalmente preferem divulgar apenas seus casos de sucesso. Bozza reconhece que escrever sobre a cultura do iFood também levou a novas reflexões sobre práticas já existentes dentro da companhia. Na visão dele, os valores de uma organização podem permanecer, mas a forma de colocá-los em prática precisa acompanhar as mudanças do negócio, das pessoas e do próprio mercado.

E poucas mudanças têm sido tão rápidas quanto as provocadas pela inteligência artificial. A IA deverá ocupar espaço importante no livro, e essa evolução também deverá aparecer em um dos capítulos da obra. O executivo explicou que o iFood passou por diferentes etapas de adoção da tecnologia, um processo que começou bem antes da popularização dos agentes.

Valores e práticas em transformação

Fases da adoção de IA no iFood

  • 2018 a 2022: foco na construção da infraestrutura de dados, formação de equipes especializadas e desenvolvimento de modelos de machine learning.
  • 2023 a 2024: democratização da tecnologia, levando-a das equipes técnicas para toda a organização.
  • 2025: avanço para os agentes de inteligência artificial.

Segundo Bozza, o iFood chegou a cerca de 27 mil agentes, em um processo acompanhado por workshops, treinamentos, lives e outras ações para estimular o uso da tecnologia pelos colaboradores. O foco deixa de ser simplesmente criar ou utilizar agentes e passa a ser identificar quais deles realmente fazem diferença no trabalho e podem mudar processos de forma mais profunda. Essa evolução não se restringe à área de tecnologia; ela afeta a forma como o trabalho é estruturado.

A transformação também alcança a gestão de pessoas. Em 2025, o uso de IA passou a fazer parte da avaliação de desempenho dos profissionais e ganhou impacto inclusive sobre a remuneração variável. A decisão, segundo Bozza, foi acompanhada de investimento em capacitação e de uma orientação clara às lideranças sobre o papel que deveriam assumir nessa mudança.

IA entra na avaliação de desempenho

A medida coloca uma questão importante para o RH. Se a IA passa a fazer parte das competências esperadas dos profissionais, as empresas também precisam criar condições para que as pessoas aprendam a utilizá-la. Caso contrário, a cobrança pode se tornar injusta e improdutiva.

Bozza defende que a essência de uma empresa pode ser mantida, mas as condutas precisam evoluir. Ao abrir seus erros e aprendizados, o iFood se posiciona de forma transparente em um movimento raro no ambiente corporativo. A combinação entre cultura, inteligência artificial e avaliação de desempenho sinaliza um caminho em que a tecnologia não é apenas uma ferramenta, mas parte integrante do desenvolvimento profissional.

O livro, nesse sentido, não se resume a uma celebração de acertos. Ele pretende ser um material útil para quem quer entender como transformar valores em práticas diárias, mesmo quando o contexto exige rápida adaptação. O recado final é que a cultura não é estática: ela se reconstrói a cada nova tecnologia, a cada novo aprendizado e a cada erro assumido.

O movimento do iFood serve como um estudo de caso para empresas que buscam integrar IA de forma ética e produtiva. A transparência sobre erros e aprendizados pode ser tão valiosa quanto a tecnologia em si, especialmente em um momento em que o futuro do trabalho passa por redefinições. Para profissionais de RH, a experiência do iFood reforça a necessidade de alinhar tecnologia e desenvolvimento humano.

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2 respostas a “Futuro do trabalho do iFood: cultura e IA em livro”

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