A ansiedade se tornou uma das palavras mais presentes nas conversas sobre saúde mental, educação e trabalho. Segundo o doutor em Psicologia pela UFSCar e colunista do Mundo RH, Laôr Fernandes de Oliveira, o organismo humano foi selecionado para sobreviver, não para proporcionar conforto permanente. Diante da percepção de ameaça, surgem respostas como aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da tensão muscular, hipervigilância, sudorese e preparação para fugir ou enfrentar. O desafio surge quando o organismo responde da mesma maneira diante de situações como reunião importante, apresentação, prova, feedback ou decisão complexa. Nesses momentos, a ameaça deixa de ser física e passa a ser simbólica.
Ansiedade clínica e o ciclo da esquiva
A reflexão foi inspirada na palestra do professor Roberto Alves Banaco, realizada no LEAAC da UFSCar. Banaco destacou que a ansiedade clínica se caracteriza pelo impacto das respostas fisiológicas sobre a qualidade de vida, especialmente quando levam a padrões persistentes de esquiva. Sempre que evitamos uma situação que gera ansiedade, experimentamos um alívio imediato. Esse alívio funciona como um poderoso reforçador. O organismo aprende rapidamente que fugir reduz o desconforto. Ao reforçar a fuga, reduzimos também nossas oportunidades de aprendizagem.
Comportamentos que limitam o crescimento
Exemplos cotidianos ilustram esse padrão: recusamos uma oportunidade de liderança, evitamos fazer perguntas durante uma reunião, desistimos de aprender uma nova habilidade. Cada comportamento de esquiva fortalece a probabilidade de novas esquivas. Diminui o repertório comportamental disponível para enfrentar desafios. Pesquisas sobre ansiedade matemática no Brasil mostram que o desempenho é frequentemente prejudicado pela presença de respostas de fuga e esquiva diante de situações que envolvem matemática. Profissionais altamente qualificados evitam assumir cargos de liderança. A fonte não detalhou dados específicos dessas pesquisas, mas o fenômeno é amplamente documentado.
O custo do alívio imediato
O alívio imediato, embora prazeroso, tem um custo elevado. Ao evitar a situação, a pessoa não aprende a lidar com ela, e o medo se perpetua. O ciclo de esquiva impede o desenvolvimento de novas competências e a superação de desafios. No ambiente profissional, isso pode significar estagnação na carreira e perda de oportunidades. A ansiedade, portanto, deixa de ser apenas um desconforto passageiro e se transforma em uma barreira concreta para o aprendizado e o crescimento. Compreender esse mecanismo é o primeiro passo para romper o ciclo e buscar estratégias mais saudáveis de enfrentamento.





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