A gestão de datas comemorativas e feriados é um dos momentos mais movimentados para o setor de Recursos Humanos e Departamento Pessoal. Entre as marcações do calendário, um termo sempre desperta dúvidas tanto nos gestores quanto nas equipes: o ponto facultativo. As regras em torno do ponto facultativo costumam gerar bastante confusão por não seguirem a mesma lógica dos feriados oficiais.
O que é ponto facultativo?
O ponto facultativo é uma data comemorativa ou histórica decretada pelo governo (federal, estadual ou municipal) na qual a dispensa do expediente não tem caráter obrigatório. Cabe a cada instituição ou empresa privada decidir de forma opcional se manterá o expediente regular, se reduzirá a jornada ou se concederá folga aos colaboradores.
Anualmente, o Governo Federal publica no Diário Oficial da União, no fim de cada ano, uma portaria que lista todos os feriados nacionais e pontos facultativos do ano seguinte. Órgãos públicos federais suspendem a maior parte dos serviços nesses dias (preservando apenas os essenciais), enquanto estados e prefeituras costumam publicar decretos locais com as suas próprias datas facultativas.
Diferença jurídica entre feriado e ponto facultativo
Embora ambos os termos apareçam associados a folgas no calendário, a diferença jurídica entre feriado e ponto facultativo é imensa e impacta diretamente a folha de pagamento e o controle de jornada. O ponto facultativo é instituído por meio de decreto administrativo e não por lei. Sua aplicação obrigatória restringe-se apenas aos servidores públicos dos órgãos pertencentes à esfera que emitiu o decreto.
Para o setor privado, o ponto facultativo funciona como um dia útil normal de trabalho, cabendo ao empregador decidir se haverá ou não expediente. Já o feriado é uma data instituída oficialmente por lei (seja ela federal, estadual ou municipal). No feriado, a dispensa do trabalho é obrigatória por lei para a grande maioria das categorias corporativas. Caso a empresa precise operar por conta da natureza do serviço, ela deve, obrigatoriamente, pagar o dia trabalhado em dobro ou oferecer uma folga compensatória.
O que diz a CLT sobre ponto facultativo?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não faz nenhuma menção direta ao ponto facultativo. A legislação trabalhista prevê apenas as regras para os feriados oficiais. Diante desse silêncio da lei, entende-se que as empresas privadas possuem total autonomia para definir suas próprias diretrizes de funcionamento nos dias facultativos.
Se a empresa optar por manter as portas abertas e o funcionamento normal, ela estará operando dentro da legalidade e as regras normais de jornada de trabalho continuam vigentes. O artigo 70 da CLT afirma: “Salvo o disposto nos artigos 68 e 69, é vedado o trabalho em dias feriados nacionais e feriados religiosos, nos têrmos da legislação própria.” A mesma CLT determina ainda que o trabalho aos domingos e feriados seja remunerado em dobro, exceto nos casos em que o empregador determinar outro dia de folga compensatória.
Portanto, enquanto os feriados têm previsão legal clara e obrigatoriedade, o ponto facultativo permanece como uma decisão interna de cada organização, sem implicações trabalhistas automáticas. Cabe ao RH comunicar com antecedência a política adotada e evitar ruídos com a equipe.
Fonte
- solides.com.br
- artigo 70 (www.jusbrasil.com.br)
- Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (www2.camara.leg.br)
- calendário oficial de feriados e pontos facultativos de 2026 (www.gov.br)





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