Liderança no futebol: assumir quando todos hesitam

Liderança no futebol: assumir quando todos hesitam

O erro de buscar culpados

Quando uma equipe perde, a explicação mais pobre é sempre a mais fácil: apontar um nome, escolher um vilão e jogar sobre ele todo o peso da frustração coletiva. O futebol costuma fazer isso. As empresas também. A política também. As famílias também. Os relacionamentos também. Quando algo dá errado, a pergunta imediata é: “De quem foi a culpa?”

Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br

A pergunta que ninguém faz

Talvez a pergunta mais madura seja outra: que tipo de cultura permitiu que o momento decisivo chegasse sem uma liderança plenamente assumida? No futebol, o pênalti é uma das imagens mais fortes da responsabilidade. É ali que o jogo para e todos os olhos se voltam para um único jogador. A bola é colocada na marca, o goleiro se prepara, e o silêncio do estádio pesa como uma tonelada. Nesse instante, não há lugar para esconderijo. Quem assume a cobrança sabe que pode ser herói ou vilão.

Talento versus protagonismo

Talento é uma coisa; protagonismo é outra. O talento pode driblar, correr, encantar, criar jogadas bonitas e produzir números extraordinários. O protagonismo aparece quando o risco é maior. É a diferença entre o jogador que brilha em jogos fáceis e aquele que pede a bola quando o time está perdendo. Nas empresas, o mesmo ocorre. Uma empresa pode ter bons profissionais, bons equipamentos, bons sistemas, bons relatórios e até boas intenções. Se, no momento decisivo, todos esperam que “alguém resolva”, a equipe começa a perder antes mesmo do erro acontecer.

Terceirizando o protagonismo

Assim vamos terceirizando o protagonismo. Ninguém se torna protagonista apenas levantando taças. Primeiro, é preciso ter coragem de assumir o peso delas. A liderança, em sentido profundo, conversa com a ideia latina de ducere, que significa conduzir, guiar, levar adiante. Liderar não é apenas ocupar a frente; é conduzir pessoas, decisões e consequências quando o caminho deixa de ser confortável.

Responsabilidade: a raiz da liderança

Responsabilidade vem de uma raiz ainda mais provocadora: respondere, isto é, responder. Ser responsável é ser capaz de dar resposta. Liderança não é gritar mais alto. Não é postar frase bonita. Não é ocupar cargo. Não é ter crachá, título, mandato, diploma ou seguidores. Liderança é a disposição de responder quando a realidade pergunta: “quem vai assumir?”

Conclusão: pedir a bola quando todos hesitam

No fim das contas, a verdadeira liderança não se mede pelos acertos, mas pela coragem de estar presente quando o erro é uma possibilidade real. É pedir a bola quando todos hesitam.

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