No mundo corporativo, muitos profissionais acreditam que dominar um passo a passo de comportamentos “executivos” é suficiente para construir uma presença marcante. Mas, segundo a consultora Ilana Berenholc, essa abordagem pode ter o efeito oposto. “Não adianta aprender mil técnicas e repetir condutas consideradas ‘executivas’, se o resultado for apenas um comportamento artificial”, afirma a especialista, que há mais de 30 anos atua em Presença Executiva e criou o Método das 6 Dimensões da Presença Executiva.
O risco das fórmulas prontas
Berenholc compara a situação a um jogador de futebol que segue a técnica passo a passo, mas deixa de criar. “Por não conseguir criar, sua presença em campo é reduzida”, explica. O mesmo, segundo ela, acontece no ambiente corporativo: quando o profissional se apega a modelos pré-definidos, perde a capacidade de adaptação e de inovação, tornando-se previsível e menos influente.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Autoconsciência como alicerce
Para a colunista, a chave para uma presença autêntica está na autoconsciência. “Quando entendo que a presença tem relação direta com quem sou e como ocupo os espaços, trazendo a autoconsciência como ponto central de que tipo de impacto quero gerar e quais sinais estou emitindo sem perceber, consigo ter mais capacidade de adaptar a minha comunicação dependendo da arena”, detalha. Esse autoconhecimento permite que o profissional seja intencional, em vez de apenas reativo.
Presença como tradução do ambiente
Berenholc defende que a presença não é só expressão, mas também tradução. “É preciso repertório, observação, leitura, e, a partir daí, você consegue elaborar quem você vai ser naquele espaço, e isso vai muito além dos modelos prontos”, ressalta. A estratégia, segundo ela, está na tradução do ambiente – ou seja, na capacidade de ler o contexto e ajustar a comunicação de forma genuína.
Intencionalidade em três perguntas
A especialista sugere que, antes de qualquer interação, o profissional responda a três perguntas que balizam como ocupar aquele espaço. “Preciso entrar nas interações com essas três perguntas respondidas, pois são elas que balizam como vou ocupar aquele espaço, garantindo que eu traga relevância, em vez de apenas gerar ruído ou ocupar o espaço por ocupar”, explica. Essa prática, segundo ela, é exatamente o que significa ser intencional.
Sensibilidade relacional e legitimidade
A boa tradução, no entanto, depende de sensibilidade relacional, não apenas de boa intenção. “Trata-se de entender quem está na sala, qual o nível de abertura daquela pessoa e que tipo de linguagem vai aproximar ou gerar resistência”, afirma Berenholc. Além disso, é preciso compreender o que gera legitimidade dentro da organização: “É preciso entender dentro da sua organização ou ambiente o que, de fato, gera legitimidade, assim como quais comportamentos são valorizados, qual a real cultura daquele local e quem são os verdadeiros tomadores de decisão buscados nos momentos em que a caneta pesa”, conclui.
Para a consultora, o segredo que poucos entendem é que a presença executiva não se constrói com receitas prontas, mas com a capacidade de ser autêntico, adaptável e estrategicamente consciente do impacto que se deseja gerar.




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