A nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) trouxe uma mudança significativa para o ambiente corporativo brasileiro: a gestão de riscos psicossociais passou a ser obrigatória. Mais do que uma exigência legal, a medida pode representar um diferencial estratégico para as organizações.
De acordo com Eduardo Marchiori, presidente da Mercer Brasil, “a gestão de riscos psicossociais, quando bem estruturada, se traduz em uma clara vantagem competitiva”. Ele explica que “organizações que avançam nessa agenda ampliam sua capacidade de atrair, engajar e reter talentos, melhoram a produtividade, reduzem perdas operacionais e atuam na sustentabilidade dos custos com saúde”.
Para Marchiori, existem cinco alavancas que funcionam como multiplicadoras de valor nesse processo. Confira cada uma delas a seguir.
Saúde financeira como pilar de bem-estar
Um dos fatores mais impactantes na saúde mental dos trabalhadores é a situação financeira. Segundo dados da Mercer, “o endividamento é um dos principais gatilhos de estresse e queda de desempenho dos trabalhadores”. A pesquisa aponta que “42% dos casos de burnout têm origem na situação financeira”.
A boa notícia é que existem soluções eficazes. “Programas de educação financeira, acesso a soluções de planejamento e ferramentas de apoio ao colaborador têm impacto direto na redução da ansiedade, na melhora do foco e no aumento da produtividade”, afirma Marchiori. Essas iniciativas ajudam a quebrar o ciclo de estresse financeiro que afeta o desempenho profissional.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Cultura corporativa: infraestrutura invisível
Outra alavanca essencial é a cultura organizacional. “Ambientes baseados em respeito, ética, segurança psicológica e empatia são determinantes para a performance”, destaca o executivo. Ele ressalta que “cultura corporativa é a infraestrutura invisível que sustenta decisões, comportamentos e resultados”.
Os benefícios de uma cultura saudável são mensuráveis. “Culturas empresariais saudáveis reduzem casos de adoecimento mental, afastamentos e uso intensivo de serviços médicos”, completa Marchiori. A prevenção, nesse caso, começa pela forma como a empresa trata seus colaboradores no dia a dia.
Segurança física e prevenção integrada
A gestão de riscos não se limita ao aspecto psicossocial. “A gestão de riscos corporativos deve incluir a proteção física dos trabalhadores, envolvendo identificação proativa de riscos operacionais, treinamentos contínuos, ergonomia adequada, equipamentos seguros e monitoramento constante de incidentes”, explica Marchiori.
O impacto financeiro é direto: “a redução de acidentes impacta diretamente internações, tratamentos e afastamentos de alto custo”. A abordagem mais eficaz, segundo ele, ocorre quando “saúde física, mental e financeira são tratadas de forma integrada”.
Custos ocultos da saúde mental
O adoecimento mental tem um custo elevado para as empresas. “Colaboradores afastados por questões de saúde mental tendem a gerar custos significativamente mais elevados nos planos de saúde”, alerta Marchiori. A gestão integrada, no entanto, “permite reduzir esses efeitos e trazer maior previsibilidade para as organizações”.
Dados da Mercer mostram que “empresas com alta maturidade em saúde e bem-estar registram reduções de 20% a 30% no absenteísmo”. Além disso, “o presenteísmo pode representar até duas vezes o custo do absenteísmo”, o que torna a prevenção ainda mais relevante.
ROI comprovado em bem-estar
Os investimentos em saúde e bem-estar têm retorno mensurável. “Programas estruturados de bem-estar e saúde mental podem gerar retorno entre duas e quatro vezes o investimento realizado (ROI)”, afirma Marchiori. Outro indicador importante é a retenção de talentos: “ambientes com alta confiança e cultura saudável apresentam até 50% menos turnover voluntário”.
No plano de saúde, os resultados também aparecem. “Iniciativas integradas de saúde podem reduzir entre 5% e 15% a sinistralidade, além de aumentar a previsibilidade dos reajustes dos planos de saúde”, conclui o presidente da Mercer Brasil. A NR-1, portanto, não é apenas uma obrigação legal, mas uma oportunidade para as empresas que desejam transformar o cuidado com pessoas em vantagem real.





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