Falar de vale-transporte dentro das empresas foi quase sinônimo de obrigação legal e rotina administrativa. No entanto, a experiência do colaborador começa antes mesmo do início do expediente. O tempo gasto no trânsito, a previsibilidade do trajeto, o custo do deslocamento e o desgaste da jornada impactam diretamente o bem-estar, a produtividade e a percepção de cuidado. A mobilidade deixou de ser apenas uma questão operacional para se tornar uma dimensão relevante da gestão de pessoas.
O peso do trajeto na rotina do trabalhador
Uma pesquisa proprietária da Pluxee Brasil, realizada em 2026 com 680 trabalhadores formais, mostra como o deslocamento ainda influencia a rotina dos profissionais. Segundo o levantamento, 49% dos trabalhadores enfrentam algum tipo de incômodo no trajeto até o trabalho. Entre os principais problemas:
- 46% apontam a imprevisibilidade do deslocamento;
- 35% relatam cansaço físico e mental causado pelo percurso.
Além disso, 60% dos trabalhadores acreditam que o tempo de deslocamento poderia ser melhor aproveitado. A pesquisa também revela que 47% associam a jornada a estresse e cansaço, enquanto 44% afirmam que esse período prejudica momentos de lazer e convivência com a família. Esses dados indicam que a mobilidade vai além do transporte: ela afeta a qualidade de vida como um todo.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Perfil dos profissionais e impacto nos benefícios
O estudo da Pluxee Brasil também traça um perfil dos trabalhadores mais impactados. Entre os profissionais presenciais cinco vezes por semana, 55% pertencem às classes CDE. Já entre os cargos operacionais, 63% dependem de ônibus municipais e intermunicipais. Esses números mostram que a mobilidade é uma questão especialmente sensível para quem tem menos recursos e opções de transporte.
Diante desse cenário, não surpreende que 85% dos trabalhadores afirmam que os benefícios de mobilidade influenciam a decisão de aceitar uma proposta de emprego. Para o RH, isso significa que oferecer um vale-transporte eficiente e bem gerido pode ser um diferencial competitivo na atração e retenção de talentos.
Mobilidade como ferramenta estratégica de RH
Quando bem administrada, a mobilidade passa a oferecer informações importantes sobre rotina, qualidade de vida e necessidades das pessoas. Uma gestão mais inteligente da mobilidade permite ao RH identificar padrões, revisar rotas, entender necessidades diferentes e tornar os processos mais eficientes para áreas como recursos humanos, financeiro e fiscal. A jornada de trabalho começa antes da chegada à empresa.
Entender como as pessoas chegam ao trabalho é tão importante quanto acompanhar o que acontece dentro dele. A experiência do colaborador começa no caminho. Para o colunista Rodrigo Belline, head de vendas da Pluxee Brasil, a mobilidade é uma pauta que o RH não pode mais ignorar — e que começa antes mesmo de o colaborador chegar ao trabalho.





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