Liderança corporativa: novo desafio do RH diante da complexidade

Liderança corporativa: novo desafio do RH diante da complexidade

A liderança corporativa passa por uma transformação que vai além da simples adoção de novas competências, ferramentas digitais ou modelos de gestão. Pesquisa da Corall revela que os líderes já reconhecem a necessidade de lidar com tensões, dilemas e decisões difíceis, mas as estruturas organizacionais ainda não acompanham essa mudança. Segundo Alessandro Gruber, sócio da Corall, o que está em jogo é uma transformação estrutural no próprio papel de liderar.

93% dos líderes percebem mudança no papel

Os números são expressivos: 93% dos líderes ouvidos afirmam que seu papel passou a incluir a sustentação de processos e tensões, e não apenas a resolução de problemas. Além disso, 95% das lideranças reconhecem essa transição, mas as organizações ainda têm dificuldade para sustentá-la de forma consistente.

Há lideranças mais conscientes, mas ainda presas a sistemas que operam pela pressa, pelo controle, pela baixa tolerância ao dissenso e pela falta de tempo protegido para reflexão estratégica. “O topo formula a narrativa do futuro; a média liderança sustenta o atrito do presente”, observa Gruber.

Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br

Decisões além dos dados

O estudo também revela que 76% dos líderes ouvidos afirmam que decisões críticas não podem mais se basear apenas em dados e modelos anteriores. A complexidade exige um novo tipo de discernimento.

65% das lideranças afirmam conseguir sustentar dilemas e incertezas, mas parte delas faz isso sem apoio institucional. “A maturidade individual supera a capacidade do sistema de absorvê-la”, afirma Gruber. A questão não é abandonar o controle, mas deixar de estar aprisionado a ele. Lideranças maduras reconhecem quando cada modo de atuação é necessário, conforme o contexto.

O invisível e a tecnologia

Outro ponto destacado é que o invisível é percebido, mas raramente tratado como parte legítima da tomada de decisão. Em um mundo no qual quase tudo se torna tecnicamente possível, a pergunta central deixa de ser “o que pode ser feito” e passa a ser “o que deve ser feito, por quem e com qual responsabilidade”.

Segundo Gruber, a tecnologia não é percebida como ameaça em si pelas lideranças. O desconforto surge quando a velocidade técnica ultrapassa a capacidade humana de interpretação e responsabilização. “A liderança de 2030 não será substituída pela tecnologia, mas será exposta por ela”, afirma Gruber.

O papel do RH em três frentes

Diante desse cenário, o RH ganha protagonismo. Para o sócio da Corall, o RH pode atuar em três frentes principais:

  • Criar sustentação institucional para aquilo que hoje depende de indivíduos.
  • Investir em práticas que institucionalizem presença e discernimento, como rituais de nomeação do essencial e laboratórios de dissenso produtivo.
  • A terceira frente não foi detalhada pela fonte.

Com essas ações, o RH pode ajudar a organização a evoluir de uma lógica de controle para uma de sustentação da complexidade.

Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

More Articles & Posts