No universo corporativo, a forma como uma empresa se despede de quem sai revela mais sobre sua cultura do que todo o discurso usado para receber quem chega. A avaliação é de Lilian Giorgi, colunista da Mundo RH e Managing Director da A&M Latam, em sua coluna; a fonte não detalhou a data da publicação.
Para a especialista, a maioria das empresas não tem um problema de contratação; tem um problema de despedida.
A despedida como espelho da cultura
Em sua análise, Giorgi destaca que “é no lugar para onde quase ninguém olha que a cultura mostra quem ela é de verdade”. A afirmação aponta para o contraste entre o cuidado com a chegada e o abandono da saída. Se a entrada é cercada de simbolismo, a partida ocorre, na maioria dos casos, sem o mesmo empenho.
Para a especialista, a ausência de atenção à despedida revela um problema estrutural: as empresas não sabem se despedir.
Esse descompasso fica ainda mais evidente quando se compara o ritual de admissão ao vazio do desligamento. A observação de Giorgi sugere que a cultura organizacional não se manifesta nos discursos, mas nas práticas destinadas a quem está de saída. A colunista não detalha quais seriam os procedimentos ideais, mas deixa claro que o atual modelo, concentrado na entrada, é insuficiente para sustentar uma cultura autêntica.
Contratar é fácil de encenar
De acordo com Lilian Giorgi, contratar é fácil de encenar. No primeiro dia, todos estão no seu melhor:
- a empresa vende o sonho;
- o profissional vende o talento;
- há kit de boas-vindas, post nas redes, café com o time e um discurso bonito sobre pertencer a algo maior.
A entrada, segundo a executiva, é ensaiada e tem processo, nome e verba.
Esse conjunto de práticas, típico dos processos de onboarding, contrasta com a ausência de um ritual equivalente no momento da saída. Enquanto a chegada é planejada nos mínimos detalhes, a partida raramente ganha o mesmo status. A afirmação de Giorgi evidencia que o problema não está na falta de recursos, mas na direção do investimento: tudo é canalizado para receber, quase nada para se despedir.
A assimetria entre entrada e saída não é, para a autora, um detalhe operacional, mas um sintoma de valores organizacionais. Os recursos destinados ao onboarding, sejam financeiros, humanos ou simbólicos, raramente têm equivalente no offboarding. A fonte não detalhou, no entanto, quais seriam as boas práticas para corrigir esse desequilíbrio.
A pergunta desconfortável
Giorgi provoca: “Talvez seja hora de uma pergunta desconfortável: se a sua cultura fosse julgada não pelo que você promete a quem entra, mas pelo modo como você se despede de quem sai, ela sobreviveria ao próprio veredito?”
A pergunta inverte a lógica comum de avaliação, deslocando o foco do recrutamento para o offboarding. Ao colocá-la, a colunista sugere que a cultura organizacional não se prova na recepção, mas na despedida.
Essa provocação, ainda que não apresente um guia prático, reforça a tese de que a saída de um colaborador é um momento tão estratégico quanto a entrada. A falta de atenção a essa etapa, na visão de Giorgi, é justamente o que transforma a despedida em um problema recorrente nas empresas.
O questionamento coloca em xeque a autopercepção das organizações. Se a cultura fosse avaliada pelo tratamento dos que partem, quantas empresas passariam no teste? A pergunta, ainda que retórica, aponta para uma lacuna de autocrítica. A resposta, sugere a colunista, pode ser mais reveladora do que qualquer discurso institucional.
Tapete vermelho e porta dos fundos
O contraste entre o tapete vermelho da entrada e a porta dos fundos da saída, ainda que metafórico, sintetiza a visão de Lilian Giorgi. Para ela, a cultura empresarial é medida pelo modo como a organização trata aqueles que estão partindo, não pelos discursos reservados aos que chegam. A pergunta que fica é se as empresas estão preparadas para ouvir a resposta.
Em última instância, a reflexão da especialista convida as lideranças a olhar para o offboarding como um indicador de autenticidade. O tapete vermelho pode impressionar no primeiro dia, mas é a porta dos fundos que revela o que a empresa realmente é. A provocação é clara: a cultura não é o que se diz na entrada, mas o que se pratica na saída.
Para Giorgi, o desafio não é contratar melhor, mas despedir-se melhor. A tese central da colunista é que o offboarding precisa ganhar status de processo estratégico, com o mesmo planejamento e recursos dedicados ao onboarding. Enquanto isso não ocorre, a porta dos fundos continuará a denunciar o que o tapete vermelho tenta esconder.





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