Menor engajamento desde 2020
O engajamento dos trabalhadores no mundo caiu para 20% em 2025, o menor patamar desde 2020, segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup. Essa queda teria gerado uma perda estimada de US$ 10 trilhões em produtividade, montante equivalente a 9% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Os números reacendem o debate sobre o protagonismo da área de Recursos Humanos e os limites de sua atuação.
Diversos aspectos influenciam o vínculo do trabalhador com a organização. Entre os elementos mencionados pelo estudo estão:
- Carga de trabalho
- Metas
- Remuneração
- Autonomia
- Qualidade das ferramentas
- Segurança profissional
- Comportamento dos gestores
Contudo, muitos desses fatores estão fora do controle direto da área de Recursos Humanos, que não pode, sozinha, reverter o baixo engajamento.
A experiência do colaborador, como destaca a reportagem “Como a experiência do colaborador revoluciona o futuro das organizações”, é construída no dia a dia, nos momentos reais da jornada. Campanhas institucionais, embora importantes, não são suficientes para moldar uma percepção positiva quando as condições de trabalho não acompanham o discurso.
Líderes também perdem engajamento
Os gestores, peças-chave na experiência do time, também enfrentam um declínio no próprio engajamento. Dados do relatório da Gallup indicam que a proporção de líderes engajados caiu de 31% em 2022 para 22% em 2025. Já entre os profissionais sem função de chefia, o indicador permaneceu em 19%.
O enfraquecimento do ânimo dos gestores é especialmente preocupante porque, segundo o Workmonitor 2026 da Randstad, 60% dos colaboradores buscam nos líderes segurança e orientação em tempos incertos.
A reportagem “Liderar na era da IA exige novas competências humanas” destaca que comunicação, empatia, curiosidade e coragem se tornam habilidades essenciais. Porém, especialistas observam que capacitar líderes isoladamente não basta.
- Excesso de reuniões
- Equipes grandes
- Metas conflitantes
- Falta de autonomia
- Acúmulo de tarefas administrativas
Esses fatores minam o impacto de qualquer treinamento.
Pesquisas de clima e o risco de frustração
Outro ponto sensível é o uso de pesquisas de clima. Quando as organizações aplicam levantamentos sucessivos mas não divulgam as decisões ou mudanças decorrentes, o trabalhador tende a achar que sua opinião tem pouco valor, o que aprofunda o desengajamento.
IA oferece ganhos, mas exige cuidados
A inteligência artificial generativa já faz parte do cotidiano de muitos profissionais, mas o uso ainda é desigual. De acordo com pesquisa da PwC, 54% dos trabalhadores recorreram à IA em suas atividades, embora apenas 14% a utilizassem diariamente.
A diferença se reflete na percepção de produtividade: entre os usuários diários, 92% afirmaram obter ganhos com a ferramenta, enquanto esse percentual cai para 58% no grupo que a emprega de forma eventual.
A reportagem “IA redefine a gestão de pessoas nas empresas” aponta que a tecnologia abre oportunidades no uso de dados, na personalização de políticas e na antecipação de riscos. Por outro lado, os sistemas podem reproduzir vieses, expor informações sensíveis e gerar decisões difíceis de explicar.
Diante desses riscos, o artigo “Liderança e IA: como proteger a dignidade dos colaboradores” enfatiza que a busca por eficiência não pode eliminar a transparência, a possibilidade de contestação e a supervisão humana. Entretanto, muitas empresas decidem adotar a tecnologia antes de construir uma estratégia clara para as pessoas que serão impactadas.
Competências para 2030 preocupam
O descompasso de habilidades também aparece como obstáculo central. Conforme o Fórum Econômico Mundial, 63% dos empregadores apontam a falta de competências como a principal barreira para a transformação dos negócios.
A urgência se intensifica porque, até 2030, cerca de 39% das capacidades consideradas essenciais no mercado de trabalho devem sofrer alterações.
O cenário se torna ainda mais concreto na projeção de que, a cada 100 profissionais, 59 precisarão de requalificação ou aperfeiçoamento. Desses, 11 podem não receber a formação necessária, ampliando o risco de exclusão do mercado.
Os dados mais recentes mostram que o engajamento em baixa, a pressão sobre líderes, a adoção da IA e o déficit de competências são desafios sistêmicos que ultrapassam os limites da área de Recursos Humanos. Para enfrentá-los, é preciso que as organizações adotem uma visão integrada, na qual tecnologia, liderança, processos e cultura caminhem juntos. O RH ganhou protagonismo, mas não pode – e nem deve – carregar tudo sozinho.
Fonte
- mundorh.com.br
- State of the Global Workplace 2026 (www.gallup.com)
- Workmonitor 2026 (www.randstad.com)





Deixe um comentário