Ronaldinho volta aos 46: o que a notícia revela sobre etarismo no trabalho

Ronaldinho volta aos 46: o que a notícia revela sobre etarismo no trabalho

Ronaldinho volta aos 46: entusiasmo e reflexão

Ronaldinho Gaúcho voltará a atuar profissionalmente depois de mais de uma década afastado das competições oficiais. Aos 46 anos, o ex-jogador retorna aos gramados, e a reação predominante foi de entusiasmo. No entanto, a repercussão da volta de Ronaldinho Gaúcho convida a uma reflexão sobre como o mercado de trabalho lida com idade, preconceito etário e ambientes inclusivos.

A notícia, que mobilizou torcedores e a mídia, levanta questionamentos que vão além do esporte. Afinal, por que a volta de um atleta veterano surpreende? A resposta pode estar nas percepções sociais sobre idade e capacidade, que muitas vezes se refletem no ambiente corporativo.

O que diz a lei brasileira sobre etarismo

A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias e limitativas motivadas pela idade para o acesso ou a manutenção da relação de trabalho. Essa proteção está prevista na Lei nº 9.029/1995, que veda exigências discriminatórias no emprego. Apesar da clara determinação legal, o preconceito etário dificilmente aparece formalizado nas políticas internas das empresas.

Natalia Serro Mies, sócia da área Trabalhista do G2 Advocacia, destaca que a discriminação por idade é ilegal, mas muitas vezes ocorre de forma velada. A especialista ressalta que é necessário avaliar se os processos de recrutamento, seleção, promoção, sucessão, desenvolvimento e desligamento reproduzem vieses relacionados à idade. A familiaridade com determinadas ferramentas não é determinada exclusivamente pela idade, mas pelo acesso, experiência e oportunidades de desenvolvimento.

Impactos da discriminação etária no ambiente de trabalho

Práticas discriminatórias, ainda que sutis, podem contribuir para ambientes marcados pela exclusão, perda do sentimento de pertencimento e adoecimento emocional. Toda forma de discriminação produz exclusão, e algumas formas de discriminação fazem com que as pessoas passem a acreditar que já não pertencem àquele ambiente. A discriminação pode transmitir a ideia de que a experiência perdeu valor ou que determinadas etapas da vida são incompatíveis com inovação, aprendizado e produtividade.

O combate ao etarismo dialoga com a construção de ambientes mais respeitosos, inclusivos e psicologicamente seguros. Organizações que valorizam equipes diversas tendem a ampliar a pluralidade de perspectivas, reduzir vieses decisórios e fortalecer a sustentabilidade de suas relações internas. O valor está em construir equipes capazes de combinar competências e promover a troca de conhecimento.

Diversidade geracional como estratégia de gestão

As políticas de diversidade e inclusão tradicionalmente concentram esforços em temas como gênero, raça e inclusão de pessoas com deficiência. Contudo, a diversidade geracional também precisa ocupar esse espaço. Combater o etarismo pode se tornar uma estratégia de gestão de pessoas e geração de valor.

A experiência, quando vestida por um ídolo, é admirada. Mas no cotidiano das organizações, muitas vezes é desvalorizada. A reflexão trazida pela volta de Ronaldinho Gaúcho aos 46 anos serve como um lembrete de que a idade não deve ser um fator limitante para o trabalho, e que a inclusão de todas as gerações enriquece o ambiente profissional.

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