Inovar não é mais opcional, mas muitas empresas ainda falham ao tratar o tema como um projeto com prazo e orçamento definidos. Segundo o especialista Bruno Bicca, cofundador da Origin Inovação, o principal obstáculo está na forma como a inovação é enxergada: como pauta de PowerPoint, e não como cultura enraizada no dia a dia. Nesse cenário, o RH ganha relevância estratégica para transformar a organização.
Inovação como projeto: o erro comum
Bicca afirma que empresas que tratam inovação como projeto estão condenadas a ver boas ideias morrerem antes de gerar resultados. “Inovação virou pauta de PowerPoint. Todo mundo coloca no planejamento estratégico, mas poucos conseguem fazer funcionar no dia a dia”, diz. Segundo ele, o erro mais comum é tratar inovação como um projeto isolado, com prazo, orçamento e responsáveis definidos. A cultura, porém, é diferente: “Cultura é o que as pessoas fazem quando ninguém está olhando. É a forma como uma equipe reage quando uma ideia falha. É se o gestor pune o erro ou aprende com ele”, explica.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
RH como arquiteto da cultura
De acordo com Bicca, o RH precisa atuar como arquiteto da cultura organizacional. “Se a empresa mede apenas resultado e nunca valoriza aprendizado ou tentativa, o colaborador aprende rapidamente que experimentar é arriscado demais”, afirma. Isso envolve revisar sistemas de avaliação de desempenho, programas de reconhecimento, critérios de promoção e, principalmente, os modelos de liderança adotados pela organização. Para o especialista, lideranças excessivamente focadas em previsibilidade tendem a sufocar iniciativas inovadoras antes mesmo que elas tenham oportunidade de amadurecer. “O RH estratégico é aquele que garante que os sistemas de gestão de pessoas estejam alinhados com o tipo de empresa que o negócio precisa se tornar.”
Equilíbrio entre inovação e resultados
Uma das maiores preocupações das empresas é encontrar o equilíbrio entre inovação e resultados de curto prazo. Para Bicca, a resposta está em separar contextos. Enquanto parte da organização precisa operar com estabilidade, processos claros e foco em performance, outra deve ter liberdade para testar hipóteses, desenvolver soluções e assumir riscos calculados. “A operação precisa de eficiência. A inovação precisa de espaço para aprender. Quando se usa a mesma régua para medir os dois ambientes, o resultado costuma ser frustrante.” Ele defende a criação de estruturas dedicadas à experimentação, com orçamento próprio, autonomia e métricas adequadas ao estágio de maturidade de cada iniciativa.
Ambiente psicologicamente seguro
Outro fator determinante para que a inovação aconteça é a construção de ambientes psicologicamente seguros. Segundo Bicca, muitas organizações investem em campanhas internas sobre cultura inovadora, mas ignoram comportamentos que, na prática, bloqueiam a participação das pessoas. “O líder que pune erros publicamente, interrompe constantemente sua equipe ou nunca admite seus próprios equívocos cria um ambiente onde ninguém quer se expor.” Para ele, a transformação começa pelo exemplo.




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