Saúde mental no trabalho: prevenção ainda é baixa

Saúde mental no trabalho: prevenção ainda é baixa

Um levantamento recente indica que, embora a saúde mental tenha ganhado espaço nas organizações, a prevenção ainda engatinha. De acordo com os dados, 63,3% das empresas possuem orçamento específico para iniciativas de saúde mental. No entanto, apenas 35% realizam o mapeamento formal dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. O contraste revela um cenário de avanço parcial, onde o reconhecimento da importância do tema não se traduz em ações estruturadas de prevenção.

Orçamento cresce, mas mapeamento é baixo

Os números mostram que a maioria das organizações já aloca recursos para a área, mas a identificação dos fatores de risco ainda é incipiente. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir de forma explícita os fatores psicossociais na gestão dos riscos ocupacionais, com prazo de adaptação concluído em maio de 2026. Os resultados sugerem que muitas empresas ainda estão em processo de adaptação a essa nova realidade.

O reconhecimento da importância do tema é praticamente consensual, mas a implementação de mecanismos estruturados de prevenção permanece restrita a uma parcela menor das empresas. Para especialistas, a principal transformação exigida pelas novas diretrizes está na mudança de uma abordagem reativa para uma estratégia preventiva.

Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br

Especialistas apontam desafios na gestão

Abordagem reativa ainda predomina

Karen Scavacini, psicóloga especialista em saúde mental e fundadora do Instituto Vita Alere, avalia que os dados refletem um movimento de amadurecimento das empresas, mas também evidenciam desafios na implementação de práticas efetivas de gestão dos riscos psicossociais. Segundo ela, ações de apoio psicológico e programas de bem-estar são importantes, mas não substituem a identificação das causas organizacionais que podem contribuir para o adoecimento dos profissionais.

Mapeamento de riscos é essencial

Scavacini explica que o mapeamento dos riscos permite compreender se fatores relacionados à organização do trabalho, à liderança, às metas ou ao ambiente corporativo estão influenciando a saúde mental dos colaboradores. Sem esse diagnóstico, as iniciativas podem ser superficiais.

Prevenção ainda é desafio nas empresas

Investimento focado em problemas já instalados

André Purri, CEO da Alymente, corrobora a análise. Segundo ele, muitas organizações ainda concentram esforços na solução de problemas já instalados, em vez de investir na prevenção. Purri afirma que o investimento em saúde mental costuma ocorrer quando os indicadores já apontam dificuldades. O desafio, segundo ele, é incorporar o tema à estrutura permanente de gestão, atuando antes que os problemas apareçam.

Os dados e as opiniões dos especialistas convergem para um mesmo ponto: o caminho da saúde mental no trabalho exige mais do que orçamento – demanda uma mudança cultural e estrutural que coloque a prevenção no centro das estratégias corporativas.

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