As mulheres brasileiras vivem mais do que os homens, mas ainda enfrentam um paradoxo: colocam a própria saúde em segundo plano. Muitas adiam consultas, ignoram sintomas e priorizam as necessidades de familiares e do trabalho, especialmente após a maternidade ou em fases de sobrecarga profissional e familiar. Esse comportamento tem consequências que vão desde diagnósticos tardios até o aumento de afastamentos por transtornos mentais, que em 2024 atingiram o maior patamar histórico no Brasil.
O peso das múltiplas jornadas
O Dr. Alexandre Rossi, especialista na área, observa que muitas pacientes chegam ao consultório tardiamente, não por descuido, mas por excesso de responsabilidades. Segundo ele, a mulher contemporânea acumula papéis: mãe, profissional, cuidadora. Quando algo a incomoda, ela adia porque acha que não pode parar. Esse adiamento, no entanto, tem um custo para a saúde.
O impacto desse acúmulo de funções se reflete em números. Em 2024, o Brasil registrou mais de 400 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número já registrado na história. Em relação ao ano anterior, houve um aumento de 68% nos afastamentos por esse motivo. Segundo o Ministério da Previdência Social, as mulheres representam 64% desses afastamentos, com ansiedade e depressão liderando os diagnósticos.
Prevenção como pilar da longevidade
Consultas preventivas são o pilar da longevidade feminina, mas muitas vezes são negligenciadas. O acompanhamento ginecológico regular é um dos principais pilares da saúde da mulher ao longo de toda a vida. Especialistas recomendam consultas anuais a partir do início da vida sexual. Exames como o Papanicolau são essenciais para a detecção precoce do câncer de colo do útero, e a partir dos 40 anos, a mamografia é recomendada.
O Dr. Alexandre Rossi reforça que a ausência de sintomas não significa ausência de problemas. Diversas condições que afetam a saúde da mulher, como miomas, endometriose, alterações hormonais e lesões precursoras de câncer, evoluem silenciosamente por anos. A consulta regular não é um luxo, é o que permite identificar e tratar essas condições antes que se tornem um problema sério.
Autocuidado como responsabilidade
Diante desse cenário, o Dr. Alexandre Rossi destaca uma mensagem direta às mulheres: “Cuidar de si mesma não é egoísmo, é responsabilidade.” Ele afirma que a mulher que se mantém saudável cuida melhor de todos ao seu redor. A saúde feminina, portanto, não pode ser tratada como um item secundário na lista de prioridades. O autocuidado é uma ferramenta essencial para que as mulheres possam continuar desempenhando seus múltiplos papéis com qualidade de vida.




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