Saúde mental de profissionais: avanço de transtornos e violência

Saúde mental de profissionais: avanço de transtornos e violência

Afastamentos em alta e ambiente hostil

O número de afastamentos por ansiedade, depressão e burnout cresce no país. Ao mesmo tempo, casos de agressão em unidades de saúde revelam um ambiente de trabalho cada vez mais pressionado. O adoecimento emocional dos profissionais afeta diretamente o funcionamento dos hospitais, a segurança dos pacientes e as relações entre equipes, lideranças e instituições. O burnout, antes individual, agora atinge equipes inteiras em muitos hospitais.

Profissionais emocionalmente esgotados tendem a ter mais dificuldade de comunicação, menor tolerância ao estresse, queda de empatia e maior risco de conflitos internos. Esse quadro contribui para o aumento da violência nos ambientes hospitalares.

Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br

Violência hospitalar: números alarmantes

Levantamento do Cremerj mostrou que quase mil médicos sofreram algum tipo de agressão entre 2018 e 2025 no estado do Rio de Janeiro. Foram:

  • 459 episódios de agressão verbal;
  • 208 casos de assédio moral;
  • 89 agressões físicas.

A violência hospitalar costuma ser associada à superlotação, demora no atendimento, falta de leitos e tensão nas emergências. Especialistas apontam que ambientes emocionalmente adoecidos reduzem a tolerância, aumentam conflitos e tornam as relações mais frágeis. Para Pacheco, hospitais emocionalmente adoecidos se tornam ambientes mais inseguros para profissionais, pacientes e lideranças.

Mudança na norma regulamentadora

A atualização da NR-1 reconhece os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Entram na lista de riscos psicossociais: pressão excessiva, jornadas desgastantes, assédio moral, conflitos interpessoais, sobrecarga emocional e falta de suporte organizacional. Para o Dr. Ricardo Pacheco, a mudança é histórica porque desloca o foco da fragilidade individual para a responsabilidade organizacional. Ele alerta que a NR-1 não deve ser tratada como uma “norma da saúde mental”.

Impacto econômico global e nacional

A Organização Mundial da Saúde estima que depressão e ansiedade geram a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo. O impacto econômico é superior a US$ 1 trilhão em produtividade. No Brasil, o avanço dos afastamentos já preocupa especialistas em previdência, segurança do trabalho, gestão hospitalar e sustentabilidade das instituições. A conclusão é que não basta oferecer ações pontuais de bem-estar. O enfrentamento exige revisão de cultura, liderança, comunicação, carga de trabalho, suporte psicológico e modelo de gestão.

Risco estrutural para a assistência

Quando profissionais adoecem em massa, equipes entram em colapso emocional e a violência passa a fazer parte da rotina, o problema deixa de ser individual. Torna-se um risco estrutural para toda a assistência.

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