A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reposiciona a saúde mental no centro da gestão de riscos ocupacionais. Ela deixa de ser um tema periférico — tratado com palestras ou programas de qualidade de vida — e passa a exigir diagnóstico científico, contínuo e integrado. As empresas precisam rever cultura, liderança e custos para se adequar.
Diagnóstico científico e contínuo
Identificar riscos psicossociais vai além de uma pesquisa de clima anual. O diagnóstico deve ser científico, contínuo e integrado à tomada de decisão. A aplicação da nova NR-1 requer método, como o ciclo PDCA ou metodologias ágeis.
O guia do Ministério do Trabalho, com cerca de 140 páginas, define perigo, risco, severidade e gravidade, além de indicar o uso do PDCA. No entanto, o manual não oferece solução pronta; fornece o “esqueleto”. Cabe a cada empresa preenchê-lo com base em sua realidade.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Integração entre áreas é essencial
A implementação da NR-1 não deve ficar restrita a uma área. RH, liderança, jurídico e SST precisam atuar de forma integrada. A NR-1 se conecta à Lei 14.831/24, que instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental. Essa conexão reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar.
O PGR precisa refletir o que acontece de fato dentro da empresa. Uma das principais ações preventivas é garantir o princípio da primazia da realidade. O que está no PGR deve espelhar a operação real. Transferir a responsabilidade da gestão dos riscos psicossociais ao Estado é considerado um erro.
Custos e impacto da liderança
A substituição de lideranças seniores pode chegar a custos estimados de R$ 300 mil. A liderança tem impacto relevante na saúde mental dos trabalhadores, comparável ao de relações pessoais muito próximas. Portanto, capacitar líderes é uma ação preventiva crucial.
Ao construir um PGR sólido, capacitar lideranças e criar rastreabilidade jurídica das ações, a organização melhora as condições para que as pessoas trabalhem com mais descanso, concentração e engajamento. A nova NR-1 não deve ser interpretada apenas como mais uma obrigação regulatória.
Mudança de paradigma
A pergunta deixa de ser se a empresa tem ações de bem-estar; passa a ser se ela conhece seus riscos, age sobre eles e consegue provar que o trabalho não é uma fonte permanente de adoecimento. Essa mudança de paradigma exige que as empresas incorporem a saúde mental à gestão de riscos de forma estruturada e contínua.




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