NR-01 saúde mental: novo risco de negócio desafia RH

A atualização da NR-01 transforma a saúde mental em risco ocupacional, exigindo gestão sistemática pelas empresas. Com afastamentos por transtornos mentais em alta, o RH precisa ir além do discurso e adotar medidas concretas. Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil, defende que o bem-estar deve ser tratado como estratégia de produtividade, retenção e sustentabilidade organizacional.

Riscos psicossociais entram na pauta

A NR-01 estrutura a gestão de algo que já gerava impacto real. A norma funciona como mecanismo de correção, segundo Guerra. Ambientes que adoecem pessoas comprometem a capacidade de entrega da organização: a produtividade se torna instável, o engajamento diminui, a retenção se fragiliza e a previsibilidade dos resultados é afetada. A regulamentação dá contorno a um problema que já existia.

Tecnologia como aliada, não solução

A tecnologia não deve ser confundida com solução mágica, alerta o executivo. Ela pode simplificar a adequação à NR-01 ao organizar a coleta de dados, reduzir complexidade operacional e dar visibilidade a riscos antes invisíveis. O diagnóstico é apenas o começo; o valor real aparece quando os dados orientam decisões concretas no dia a dia. Sem essa etapa, a tecnologia corre o risco de se tornar mais um gasto sem retorno.

Sobrecarga dos gestores é alerta

Estudos citados por Guerra mostram que 51% dos profissionais de RH veem a sobrecarga dos gestores como um risco. Se o líder está exausto, dificilmente conseguirá cuidar do time. Por isso, capacitar lideranças para entender que ambientes saudáveis são mais produtivos passa a ser parte central da estratégia de prevenção. A formação de gestores não é mais opcional, mas condição para o cumprimento da norma.

Investimento com retorno comprovado

Um estudo independente da EY-Parthenon, citado pelo Wellhub, aponta que cada R$ 1 investido no ecossistema da empresa gera R$ 5,55 em atividade econômica. Além disso, há ganhos diretos de produtividade estimados em R$ 560 por pessoa ao ano. Para Guerra, o maior risco não está em investir, mas em não agir. Os números reforçam que a saúde mental não é custo, mas investimento com retorno mensurável.

Duas posturas diante da norma

Algumas organizações tratarão a norma como obrigação burocrática. Outras entenderão que a saúde mental é parte da estratégia de negócio. As primeiras tentarão cumprir exigências; as segundas irão redesenhar o trabalho para torná-lo mais saudável, produtivo e sustentável. A diferença entre cumprir e incorporar a norma pode definir a competitividade futura das empresas.

RH precisa de dados e coragem

Para o RH, a era das ações pontuais de bem-estar está ficando para trás. O novo ciclo exige dados, liderança, prevenção, tecnologia e coragem para mexer na forma como o trabalho acontece. Cuidar da saúde mental não é apenas proteger pessoas; é proteger o futuro da própria empresa. A mensagem de Guerra é clara: quem não agir agora pode ficar para trás.

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