O Diabo Veste Prada 2 reacende debate sobre marcas empregadoras tóxicas

O Diabo Veste Prada 2 reacende debate sobre marcas empregadoras tóxicas

A continuação do filme ‘O Diabo Veste Prada’ reacende o debate sobre marcas empregadoras tóxicas. Para Bell Gama, CEO e cofundadora da Air Branding, a produção expõe uma mudança profunda no mundo do trabalho: prestígio, glamour e status já não sustentam culturas marcadas por medo, sobrecarga e falta de reconhecimento. Esse movimento desafia empresas que ainda mantêm culturas baseadas em competição excessiva, disponibilidade permanente e pressão constante.

Culturas de medo e retenção de talentos

Culturas de medo impactam diretamente a retenção de talentos. Bell explica esse processo a partir da lógica do contrato psicológico — o acordo não escrito entre empresa e colaborador sobre o que se entrega e o que se recebe em troca. Quando esse contrato é rompido, a confiança se desfaz.

Novas gerações e a economia do uso

A relação das novas gerações com o trabalho também ajuda a explicar por que ambientes no estilo Miranda Priestly tendem a perder força. Bell evita generalizações e lembra que o Brasil é um país continental, formado por muitos contextos sociais e econômicos. Ela identifica uma tendência crescente ligada à ‘economia do uso’ em vez da ‘posse’. Na carreira, isso significa que muitos jovens já não querem ‘possuir’ um cargo em uma marca famosa se isso custar liberdade, saúde mental e identidade.

Pressão por coerência nas empresas

A pressão sobre as empresas é por coerência. Flexibilidade precisa ser vivida como autonomia e confiança, não apenas como um enfeite na comunicação institucional. Uma empresa pode comunicar autonomia, agilidade e inovação. Se os relatos internos apontam para microgestão, processos burocráticos e falta de confiança, há uma ruptura entre promessa e realidade.

Impacto na marca empregadora

Jornadas excessivas, disponibilidade permanente e ausência de reconhecimento comprometem profundamente a marca empregadora. Para Bell, elas destroem a reputação orgânica. Construir uma marca empregadora forte significa garantir que a promessa feita ao mercado encontre sustentação no dia a dia.

O papel do EVP na transformação

A construção de um EVP, ou Employee Value Proposition, é a estratégia que define a identidade de uma marca empregadora. Bell afirma que ele vai muito além de uma campanha de atração. O EVP estabelece o ‘contrato de valor’ entre a empresa e as pessoas. Ao estruturá-lo, a organização define com clareza o equilíbrio entre o que exige e o que entrega como valor único. No caso fictício da Runway, um EVP bem construído poderia transformar o prestígio em uma promessa clara de desenvolvimento acelerado, em vez de uma armadilha de abuso.

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