IA transforma início de carreira e exige novo RH para estágio e trainee

IA transforma início de carreira e exige novo RH para estágio e trainee

IA já impacta funções de jovens no mercado

A inteligência artificial já começou a alterar funções operacionais, administrativas e de apoio ocupadas por jovens em início de carreira. As áreas mais afetadas pela IA são aquelas com menor qualificação e menos experiência prévia. Atividades administrativas, operacionais e repetitivas serviam historicamente como primeiro degrau para estudantes, estagiários e profissionais em início de trajetória. Funções operacionais são mais fáceis de automatizar. Muitas empresas conseguem ampliar produtividade com equipes mais enxutas e apoio de ferramentas de IA.

Com IA, uma única pessoa ou uma pequena equipe consegue entregar resultados que antes exigiam estruturas maiores. Isso abre espaço para jovens empreendedores, mas também aumenta a pressão sobre quem busca emprego tradicional. No Brasil, a automação pode afetar com mais força jovens de menor qualificação.

Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br

RH precisa redesenhar programas de entrada

Lucas Fernandes, cofundador da AutoU, alerta que o RH precisará redesenhar programas de estágio, trainee e primeiro emprego para formar jovens preparados para trabalhar com IA. Programas de estágio, trainee e primeiro emprego não podem mais ser desenhados apenas para formar jovens em tarefas repetitivas. Fernandes defende que manter portas de entrada será essencial para evitar um apagão de talentos no futuro.

Funções como atendimento, telemarketing e rotinas administrativas ainda podem existir, mas com outro nível de exigência. Segundo Fernandes, o caminho não é resistir à IA, mas ensinar os jovens a trabalhar com ela. Isso passa por usar a tecnologia para resolver problemas reais, organizar tarefas, criar apresentações, editar conteúdos, automatizar processos e gerar resultados concretos.

Educação precisa mudar com foco em projetos

A educação precisa mudar, com escolas e faculdades apostando mais em projetos práticos, resolução de problemas e desenvolvimento de repertório. Lucas Fernandes tem mais de dez anos de atuação em transformação digital e experiência em projetos com Nestlé, Colgate-Palmolive, L’Oréal, Saint-Gobain e Embraer. Ele destaca que jovens que souberem combinar atendimento humano, domínio de ferramentas digitais, interpretação de dados, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas terão mais chances de permanecer relevantes.

A inteligência artificial pode ampliar o acesso ao conhecimento e acelerar a evolução de quem tem iniciativa, curiosidade e disposição para aprender continuamente. No entanto, a vantagem da IA dependerá de acesso, educação de base e alfabetização digital.

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