IA na educação: a cola invisível e o novo contrato da aprendizagem

IA na educação: a cola invisível e o novo contrato da aprendizagem

A inteligência artificial (IA) já é usada por estudantes brasileiros para fazer tarefas escolares. Diante desse cenário, uma pergunta antiga ganha nova urgência: o que, afinal, queremos que o aluno aprenda? Para o psicólogo e colunista do Mundo RH Laôr Fernandes de Oliveira, doutor em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a resposta define se a IA será ferramenta ou muleta.

A pergunta que a IA impõe à educação

Segundo Oliveira, a IA está fazendo à educação uma pergunta antiga com força nova. Se o objetivo for apenas entregar tarefas prontas, a máquina venceu. Mas se a intenção for formar alunos que pensam melhor, argumentam com consistência, resolvem problemas, colaboram, criam, revisam, decidem e agem com responsabilidade, então a IA pode ser incorporada como ferramenta, não como muleta.

O especialista destaca que a pergunta correta não é se a IA deve ser usada, mas que tipo de aprendizagem sobreviverá quando o produto final puder ser fabricado por qualquer aplicativo. A reflexão, segundo ele, exige um novo contrato entre educadores, alunos e gestores.

Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br

Cola invisível: o desafio real

Oliveira alerta que a chamada “cola invisível” – o uso não autorizado de IA para obter respostas prontas – não será vencida por vigilância infinita. Em vez de aumentar o controle, ele propõe enfrentar o problema com tarefas melhores, professores formados, estudantes orientados e gestores capazes de compreender que tecnologia educacional não é apenas equipamento.

Para o psicólogo, tecnologia educacional é desenho de ambiente, cultura de uso, clareza ética e inteligência avaliativa. Isso significa repensar as atividades propostas, de modo que exijam processos que a IA não pode simplesmente replicar, como pensamento crítico e criatividade.

O papel do professor e do gestor

A formação docente aparece como peça-chave na visão de Oliveira. Professores precisam ser preparados para desenhar tarefas que integrem a IA de forma ética e produtiva. Já os gestores devem ir além da compra de equipamentos e investir em uma cultura institucional que valorize a clareza ética e a inteligência avaliativa.

O colunista do Mundo RH defende que a saída não está em proibir a tecnologia, mas em criar ambientes de aprendizagem onde a IA seja uma aliada no desenvolvimento de competências humanas. A fonte não detalhou prazos ou políticas específicas para implementação dessas mudanças.

O novo contrato da aprendizagem

Diante do avanço da IA, Oliveira sugere que educadores e gestores revisem o contrato implícito da aprendizagem: o que se espera do aluno e como se avalia seu progresso. Se a resposta for apenas a entrega de tarefas, a máquina venceu. Mas se o foco for o desenvolvimento de habilidades como argumentação, colaboração e responsabilidade, a IA pode ser uma ferramenta poderosa.

A reflexão proposta pelo psicólogo aponta para um futuro em que a tecnologia educacional não é vista como ameaça, mas como oportunidade de repensar o que realmente importa na formação dos estudantes. A cola invisível, nesse contexto, deixa de ser um problema de vigilância e passa a ser um convite à inovação pedagógica.

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