Especialistas alertam que saúde mental é fator decisivo na prevenção de hipertensão, arritmias e doenças cardiovasculares.
Durante a campanha Janeiro Branco, o Hospital Cardiológico Costantini reforça a importância de enxergar a saúde mental como parte indissociável da prevenção das doenças cardiovasculares. A instituição observa um crescimento expressivo no número de pacientes com queixas cardíacas associadas ao estresse crônico, ao burnout e ao ritmo acelerado da vida moderna — um cenário que acende o alerta para os impactos silenciosos da sobrecarga emocional sobre o coração.
Reconhecido oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, o burnout está relacionado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente administrado. No Brasil, estimativas da International Stress Management Association Brasil (ISMA-BR) indicam que cerca de 30% dos trabalhadores apresentam sintomas da síndrome. Em paralelo, as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no país, respondendo por aproximadamente 30% dos óbitos anuais, segundo dados do Ministério da Saúde.
“Existe uma ligação direta e comprovada entre o estresse persistente e o adoecimento cardiovascular. Quando o organismo permanece em estado de alerta constante, ocorre liberação excessiva de hormônios como o cortisol, aumento da inflamação sistêmica, elevação da pressão arterial e prejuízos importantes ao sono — fatores que sobrecarregam o coração”, explica Gustavo dos Reis Marques, médico cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini.
O preço cardíaco da vida moderna
O estresse pontual faz parte do processo de adaptação do organismo. O problema surge quando ele se torna crônico. Estudos científicos mostram que pessoas submetidas a altas demandas profissionais, longas jornadas e poucas oportunidades de recuperação apresentam maior risco de desenvolver hipertensão, arritmias, síndrome coronariana e eventos graves, como infarto e AVC.
“No consultório, é cada vez mais comum atender pacientes sem histórico cardíaco relevante — muitos deles jovens — que chegam com palpitações, dor no peito, picos de pressão e sensação de cansaço extremo. Em muitos casos, o coração está estruturalmente preservado, mas funciona em permanente estado de alerta por causa do estresse emocional e profissional”, relata o cardiologista.
Burnout e coração: um alerta silencioso
De acordo com o Hospital Cardiológico Costantini, o ambiente de trabalho tem sido um fator determinante nesse cenário. Pressão constante por desempenho, dificuldade de desconexão fora do expediente e ausência de pausas adequadas contribuem para um desgaste progressivo do sistema cardiovascular.
“O coração não foi projetado para viver sob estímulo de emergência o tempo todo. Quando isso acontece, o risco cardiovascular aumenta de forma silenciosa. O burnout não afeta apenas a produtividade ou a saúde mental — ele tem consequências diretas e mensuráveis para o coração”, destaca o especialista.
Prevenção começa pela mente
Durante o Janeiro Branco, o hospital reforça que a prevenção deve ser integrada. Dormir bem, respeitar momentos de pausa, praticar atividade física regularmente, buscar apoio psicológico e aprender a manejar o estresse são medidas fundamentais para proteger a saúde do coração. Para pessoas com fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar, o acompanhamento cardiológico regular é indispensável.
“Cuidar da saúde mental é uma estratégia de prevenção cardiovascular. Quando a mente adoece, o coração sofre — e essa é uma mensagem que precisa ser compreendida pela população e pelas empresas”, afirma o cardiologista.
Um tema para o ano inteiro
Embora o Janeiro Branco concentre as ações de conscientização, o Hospital Cardiológico Costantini destaca que o cuidado com a saúde emocional deve ser contínuo. Em um contexto de aumento dos casos de burnout e de manutenção das doenças cardiovasculares como principal causa de mortalidade, integrar mente e coração deixou de ser tendência e se tornou uma necessidade.



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