Dia do Profissional de RH: você ainda olha nos olhos?
No Dia do Profissional de RH, uma pergunta incômoda ecoa entre os corredores corporativos: quando foi a última vez que você olhou nos olhos de alguém? A provocação é de Eduardo Toledo, comunicador e palestrante comportamental com mais de 25 anos de atuação em RH e comunicação, autor do livro F-F-Falei!. A área responsável por atrair pessoas, desenvolver talentos e construir culturas de confiança tornou-se, nas últimas décadas, uma das mais entusiastas do uso de ferramentas que eliminam o contato humano real.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Eficiência não é sinônimo de efetividade
Eficiência e efetividade não são sinônimos, alerta Toledo. Processos seletivos que substituem o olhar humano por roteiros cronometrados e vídeos assíncronos estão contratando a capacidade de performar para uma câmera, não a capacidade de entregar resultado dentro de uma cultura real. O resultado aparece nos números de turnover, nas demissões nos primeiros noventa dias e na sensação de que a pessoa era diferente na entrevista. A fonte não detalhou dados específicos, mas a constatação é baseada na experiência do autor.
Quando a tecnologia elimina o humano
Há alguns anos, o autor não passaria em nenhuma triagem automatizada. Ele gaguejava e tinha dificuldade de se expressar em situações de pressão. Plataformas de EAD, trilhas digitais e vídeos de cinco minutos são muito organizados, mensuráveis e escaláveis, mas na maioria das vezes pouco transformadores. Nada disso tem botão de pausa e nada disso se replica em um módulo virtual. Isso não acontece com a câmera desligada.
O valor do presencial no desenvolvimento
O modelo híbrido e digital tem seu valor, especialmente em escala e em conteúdos técnicos. No entanto, quando o tema é comunicação, liderança, cultura ou comportamento, a presença física não é um detalhe logístico, mas a própria condição para que a transformação aconteça. A liderança não se aprende apenas em cursos, mas no contato, no timing da conversa difícil e na presença física. Quando os programas de desenvolvimento de liderança migram quase integralmente para módulos online, mentorias por vídeo sem profundidade real e trilhas de conteúdo, o que estamos formando são gestores tecnicamente informados e emocionalmente distantes.
Líderes ausentes, equipes desengajadas
Líderes que mandam mensagens em vez de conversar, fazem reunião por e-mail, dão feedback por WhatsApp e não sabem mais ler o ambiente de uma equipe porque nunca estão fisicamente nele. O RH se surpreende com os índices de desengajamento, com a pesquisa de clima que aponta falta de comunicação da liderança como o principal problema pela décima vez consecutiva e com o turnover que não para de crescer. O WhatsApp não é um canal de gestão de pessoas, o e-mail não substitui uma conversa honesta e a câmera desligada em uma reunião de feedback não é neutralidade, é ausência.
Um chamado à humanização
Este artigo é um chamado para que o RH lembre do que nenhum algoritmo pode substituir: a sua capacidade de perceber o que não está sendo dito. A comunicação humana é feita de camadas que a tecnologia ainda não consegue capturar: o tom de voz que muda, o olhar que pede ajuda, o silêncio que diz mais do que qualquer resposta bem formulada. No Dia do Profissional de RH, a reflexão fica: será que estamos formando líderes ou apenas operadores de ferramentas digitais?



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