O desengajamento nas empresas deixou de ser um problema restrito às equipes operacionais e agora atinge também as lideranças. Dados do State of the Global Workplace 2025 indicam que apenas 27% dos gestores se consideram engajados no trabalho. Esse cenário acende um alerta sobre a saúde organizacional: quando a liderança adoece ou perde a conexão com o trabalho, a empresa perde a capacidade de mobilizar pessoas.
Segundo relatório da Sodexo, a queda na motivação e no envolvimento dos profissionais gerou uma perda de US$ 438 bilhões em produtividade no mundo. O número expressivo evidencia que o desengajamento não é apenas uma questão individual, mas um problema estrutural que impacta diretamente os resultados financeiros das empresas.
Pressão constante sobre gestores
A busca por performance tem aumentado a demanda emocional sobre quem lidera. Metas agressivas, decisões constantes, cobrança por produtividade e responsabilidade sobre equipes colocam gestores em um estado permanente de pressão. Esse contexto contribui para que apenas 27% dos gestores estejam engajados, conforme aponta a pesquisa.
Para Ary Gatto, não existe solução simples para um problema tão complexo. O desengajamento precisa ser acompanhado com a mesma atenção dedicada a outros indicadores de desempenho. Ignorar o problema pode comprometer a capacidade da empresa de reter talentos e manter a produtividade.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Medidas necessárias para reverter o quadro
Empresas precisam rever metas, suporte emocional e modelos de gestão para evitar perda de produtividade. Entre as medidas necessárias estão:
- Rever metas excessivamente agressivas;
- Criar ações consistentes de apoio à saúde mental;
- Oferecer condições reais para que lideranças atuem com equilíbrio.
A liderança não pode ser sustentada apenas por cobrança; precisa de suporte, formação e um ambiente favorável. Empresas de diferentes setores já vêm adotando programas estruturados de bem-estar, com palestras, workshops e ações educativas voltadas à saúde física e emocional. Essas iniciativas criam espaços de escuta, reflexão e preparo para lidar melhor com a pressão dos cargos de gestão.
Desenvolvimento contínuo como pilar
Programas de desenvolvimento contínuo têm se tornado fundamentais. Trilhas de capacitação em gestão, comunicação, tomada de decisão e relacionamento com equipes ajudam líderes a enfrentar desafios com mais preparo. Investir na formação dos gestores é uma estratégia para fortalecer o engajamento e evitar que o desengajamento se espalhe.
O clima organizacional funciona como alicerce para a saúde e o sucesso do negócio no longo prazo. Ele aparece nas práticas do cotidiano, na escuta ativa, no equilíbrio entre cobrança e apoio e na forma como a empresa trata o bem-estar dos colaboradores. Sem esse olhar para o contexto organizacional como um todo, a tendência é que o futuro do trabalho se torne menos sustentável.
Quando empresas não oferecem condições para que lideranças performem bem, o problema torna-se estrutural e pode comprometer resultados por muitos anos. Portanto, reverter o desengajamento das lideranças exige ações coordenadas que vão desde a revisão de metas até a implementação de programas de apoio e desenvolvimento.




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