Bem-estar muda o roteiro dos eventos corporativos

Bem-estar muda o roteiro dos eventos corporativos

Empresas estão reformulando convenções, encontros de liderança e viagens de incentivo para incluir pausas, movimento e experiências capazes de fortalecer vínculos e renovar a energia dos participantes. A mudança reflete uma nova percepção sobre o valor dos encontros presenciais, segundo Flávia Morizono, diretora de operações da Joia | Experiências Que Transformam. “Se vamos tirar alguém da sua rotina para participar de um evento, esse tempo precisa realmente valer a pena”, afirma.

Bem-estar vai além de yoga e meditação

A inclusão do bem-estar nos eventos não se limita a yoga, meditação ou massagens. O conceito também pode envolver atividades ao ar livre, contato com a natureza, música, gastronomia, experiências sensoriais, movimento e momentos de convivência. Mais do que criar um bloco isolado na programação, o cuidado deve orientar toda a experiência. Isso envolve a escolha do local, o ritmo das atividades, os intervalos, a alimentação e a disponibilidade de espaços nos quais as pessoas possam conversar ou simplesmente descansar.

“Ao invés de criarmos um ‘momento wellness’ isolado, o cuidado com o bem-estar começa a aparecer na experiência como um todo”, explica Flávia.

O risco do bem-estar obrigatório

O desafio está em evitar que o próprio bem-estar se transforme em mais uma obrigação. Uma programação repleta de atividades, ainda que apresentadas como leves, pode provocar o efeito contrário quando não respeita o perfil dos participantes. Segundo a executiva, não basta inserir uma aula de yoga apenas porque o tema está em evidência. Se a proposta não estiver conectada às pessoas e ao propósito do encontro, será percebida como uma tarefa forçada.

Eventos como mensagem de valorização

Atividades compartilhadas, conversas espontâneas e momentos de descanso ajudam a aproximar pessoas que, muitas vezes, se conhecem apenas pelas telas. Para as empresas, o evento também comunica uma mensagem sobre a forma como enxergam e valorizam seus profissionais. “Existe uma mensagem muito importante por parte da empresa: ‘Estou investindo tempo e recursos para proporcionar uma experiência para você’. Quando esse cuidado é verdadeiro e a experiência é bem executada, o colaborador percebe”, pontua Flávia.

Impacto vai além do engajamento

O impacto esperado, portanto, vai além do engajamento durante o encontro. Uma experiência bem planejada pode contribuir para o sentimento de pertencimento, melhorar a qualidade das relações e reforçar aspectos da cultura organizacional. “As pessoas precisam voltar desses encontros melhores do que chegaram, mais conectadas, inspiradas e com a energia renovada”, destaca.

Não existe fórmula única

Não existe uma fórmula única para incorporar bem-estar a um evento. Enquanto algumas pessoas se identificam com atividades esportivas ou práticas de movimento, outras preferem experiências gastronômicas, conversas tranquilas ou simplesmente um período sem compromissos. A escuta do público torna-se, por isso, parte importante do planejamento. Perfil dos participantes, faixa etária, limitações físicas, rotina profissional, objetivos da empresa e características do encontro precisam ser considerados antes da definição da programação. Quando essa análise não acontece, atividades inicialmente pensadas para gerar integração podem produzir constrangimento, cansaço ou rejeição.

Bem-estar não deve significar obrigar todos os participantes a viver a mesma experiência.

Na prática: a abordagem da Joia

Na Joia, essa abordagem vem sendo aplicada em offsites, convenções, viagens de incentivo, encontros de liderança e ações destinadas a criadores de conteúdo. A agência procura equilibrar conteúdo, entretenimento, gastronomia, integração e períodos de pausa de acordo com cada público. Recentemente, a empresa realizou dois eventos para a Biossance, marca de produtos para a pele com venda exclusiva na Sephora. Segundo Flávia, a proposta foi construir experiências que ultrapassassem uma simples sequência de atividades. “Não queremos simplesmente ocupar a agenda das pessoas.

Queremos criar experiências que transformem a relação entre elas, seus times e as marcas”, afirma.

Coerência com a cultura organizacional

Um encontro agradável não é suficiente para comprovar que determinada empresa possui uma cultura de bem-estar. Se o cuidado aparece apenas na convenção anual, mas desaparece na rotina de trabalho, a iniciativa pode ser interpretada como algo superficial. Para que exista coerência, a experiência precisa dialogar com as práticas de liderança, as condições de trabalho e a maneira como a organização se relaciona diariamente com seus profissionais.

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