A discussão sobre liderança feminina tem evoluído para além da representatividade, incorporando temas ligados ao desenvolvimento de carreira, cultura organizacional e competências comportamentais. Dados do IBGE indicam que mulheres ocupam atualmente 39% das posições de liderança no Brasil. No entanto, o avanço ainda é desigual: segundo levantamento da Page Executive em parceria com a Fundação Dom Cabral, apenas 10% das posições de CEO são ocupadas por mulheres ou pessoas negras. Homens brancos concentram 90% dos cargos de principal executivo nas empresas analisadas.
O fenômeno do ‘degrau quebrado’
O relatório Women in the Workplace da McKinsey revela que, para cada 100 homens promovidos a cargos gerenciais, apenas 81 mulheres recebem a mesma oportunidade. Entre mulheres negras, o número cai para 54 promoções para cada 100 homens promovidos. Esse fenômeno é conhecido como “degrau quebrado” (broken rung), expressão utilizada para descrever a dificuldade de acesso feminino aos primeiros níveis de liderança. Homens tendem a avançar, em média, quatro níveis hierárquicos ao longo da carreira, enquanto mulheres costumam progredir cerca de dois níveis.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Visibilidade e reconhecimento
Darla Sierra, CEO da VLG Investimentos, afirma que existe uma diferença entre competência técnica e reconhecimento organizacional. Segundo ela, profissionais altamente qualificados não avançam na mesma velocidade de seus resultados porque encontram dificuldades para tornar visível o valor que entregam dentro das organizações. Darla Sierra destaca que a comunicação estratégica pode contribuir para que resultados, competências e potencial de liderança sejam percebidos com maior clareza por gestores e tomadores de decisão.
Comunicação estratégica versus autopromoção
Especialistas ressaltam que comunicação estratégica não deve ser confundida com autopromoção. O conceito envolve a capacidade de apresentar resultados, defender ideias, participar de discussões relevantes e influenciar decisões de forma consistente e alinhada aos objetivos da organização. Entre mulheres que ocupam posições de liderança, 37% afirmam já ter visto suas ideias ou contribuições atribuídas a outras pessoas, segundo relatório da McKinsey. Entre homens, o percentual é de 27%. Para especialistas em desenvolvimento de lideranças, situações como essa reforçam a importância de competências relacionadas à influência, negociação, comunicação e construção de credibilidade profissional.
Mudanças nas organizações
Embora a desigualdade de gênero ainda seja uma realidade em muitos setores, algumas organizações apresentam resultados diferentes. Especialistas destacam que habilidades como comunicação, influência, construção de relacionamentos e capacidade de mobilização ganham relevância à medida que profissionais assumem posições de maior responsabilidade. Estudos indicam que fatores relacionados à visibilidade, reconhecimento e influência também desempenham papel importante na trajetória de liderança. A comunicação, portanto, emerge como elemento central na busca por maior equidade nos altos escalões corporativos.




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