NR-01 riscos psicossociais: RH ganha papel estratégico na saúde mental

NR-01 riscos psicossociais: RH ganha papel estratégico na saúde mental

A nova exigência sobre riscos psicossociais muda a forma como organizações lidam com saúde mental e coloca lideranças no centro da prevenção ao adoecimento. A mudança representa uma transformação profunda na forma como empresas, lideranças e áreas de Recursos Humanos enxergam temas como estresse crônico, sobrecarga, assédio moral, jornadas excessivas e desgaste emocional.

Fim de uma visão limitada

Para Leandro Oliveira, Diretor do Brasil e EMEA da Humand, a nova regulamentação marca o fim de uma visão limitada sobre saúde mental corporativa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o burnout como um fenômeno ocupacional relacionado às condições de trabalho. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou mais de meio milhão de afastamentos por transtornos mentais em 2025. No mesmo período, foram contabilizadas aproximadamente 4 milhões de licenças de trabalho por diferentes motivos. Os números evidenciam um cenário que preocupa especialistas em gestão de pessoas.

Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br

Riscos psicossociais em foco

Leandro Oliveira afirma que o estresse crônico, a pressão excessiva e ambientes tóxicos deixaram de ser vistos como parte natural da vida corporativa e hoje representam riscos reais para a saúde das pessoas e para a sustentabilidade dos negócios. A adequação à NR-01 não pode ser tratada como um projeto temporário ou apenas uma exigência documental. Os fatores psicossociais são dinâmicos e mudam constantemente dentro das organizações. Mudanças de liderança, processos de fusão e aquisição, reestruturações, aumento de metas ou redução de equipes podem alterar significativamente o nível de exposição dos colaboradores a riscos emocionais.

Gestão contínua é essencial

Leandro Oliveira destaca que o risco psicossocial não é estático e muda conforme a empresa muda, por isso a gestão precisa ser contínua, baseada em monitoramento, escuta ativa e acompanhamento permanente. Nesse novo cenário, o papel do RH ganha relevância inédita. Mais do que administrar benefícios ou conduzir ações de engajamento, a área de RH passa a atuar diretamente na identificação de fatores de risco capazes de comprometer a saúde mental dos profissionais. Pesquisas de clima, indicadores de absenteísmo, turnover, afastamentos, canais de denúncia e programas de escuta tornam-se ferramentas essenciais para mapear vulnerabilidades e orientar decisões.

Liderança como parte da solução

Segundo Leandro Oliveira, o sucesso da adequação depende da participação efetiva das lideranças. Leandro Oliveira afirma que não adianta construir processos impecáveis se a cultura da empresa continua premiando jornadas excessivas, disponibilidade permanente e comportamentos que estimulam o adoecimento, e que a liderança precisa ser parte da solução. A discussão também ganha relevância em um momento em que empresas buscam aumentar produtividade e competitividade. Para o executivo da Humand, ainda existe uma visão equivocada de que a pressão constante gera melhores resultados. Ambientes marcados por exaustão, insegurança psicológica e sobrecarga tendem a produzir queda de desempenho, aumento de erros, menor capacidade de inovação e crescimento dos afastamentos.

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