Recorde global de trocas de CEOs
O primeiro trimestre de 2026 registrou um aumento de 40% nas mudanças de liderança em empresas ao redor do mundo, segundo levantamento da consultoria Russell Reynolds Associates. O número acende um alerta sobre a sucessão nas companhias, que enfrentam um ambiente de negócios cada vez mais complexo, pressionado por transformações tecnológicas, instabilidade econômica, inteligência artificial, mudanças geopolíticas e expectativas crescentes dos investidores.
De acordo com Jacques Sarfatti, sócio-diretor da Russell Reynolds Associates no Brasil, a sucessão deixou de ser apenas uma discussão futura e passou a ocupar posição estratégica dentro dos conselhos. “Os conselhos estão calibrando suas decisões de acordo com o grau de complexidade enfrentado pelas organizações”, afirma.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Experiência prévia como diferencial
Um dos dados que mais chamam a atenção no levantamento é o crescimento da contratação de executivos que já ocuparam anteriormente a posição de CEO. No primeiro trimestre, 26% dos novos presidentes-executivos nomeados já possuíam experiência prévia na liderança de empresas de capital aberto.
Foram nove nomeações de CEOs experientes nos três primeiros meses de 2026, contra cinco no mesmo período de 2025 e apenas duas em 2024. Para os conselhos, a experiência prévia passou a ser vista como um diferencial importante em um cenário que exige decisões rápidas e menor margem para erros. “Em determinados momentos, a experiência prática na cadeira de CEO se torna um ativo extremamente valioso”, explica Sarfatti.
Maior permanência no cargo
Apesar do aumento na rotatividade, o estudo também identificou uma tendência aparentemente contraditória: o crescimento do tempo médio de permanência dos CEOs que deixam suas funções. Globalmente, os executivos que encerraram seus mandatos permaneceram, em média, dez anos no cargo, ante 6,6 anos observados no mesmo período de 2025.
Nas empresas que integram o índice S&P 500, o tempo médio chegou a 11,8 anos, contra 8,3 anos registrados um ano antes. Segundo a Russell Reynolds, o movimento sugere que muitas organizações estão optando por manter líderes experientes por períodos mais longos antes de promover mudanças, especialmente em momentos de alta complexidade.
Sucessão como estratégia corporativa
Os resultados reforçam uma tendência que vem ganhando força nas áreas de Recursos Humanos: a sucessão executiva deixou de ser apenas um processo de substituição e passou a ser um elemento central da estratégia corporativa. Com a crescente escassez de competências críticas e a transformação acelerada dos negócios, empresas precisam construir pipelines robustos de liderança para garantir continuidade e sustentabilidade.
Nesse contexto, programas de desenvolvimento executivo, planos estruturados de sucessão e identificação antecipada de talentos internos tornam-se cada vez mais relevantes. “O desenvolvimento de sucessores internos continua sendo essencial para garantir continuidade, preservação da cultura e visão de longo prazo”, destaca Sarfatti.
Novo perfil de liderança exigido
O estudo também revela uma mudança mais ampla no perfil das lideranças exigidas pelo mercado. Além da experiência técnica, CEOs precisam demonstrar capacidade de liderar transformações, navegar em cenários de incerteza, acelerar processos de inovação e engajar equipes em um ambiente cada vez mais dinâmico.
A chamada economia baseada em competências substitui gradualmente a lógica tradicional baseada apenas em cargos e experiência. Para a Russell Reynolds Associates, os números do primeiro trimestre de 2026 reforçam que a competitividade das empresas está diretamente ligada à qualidade de suas lideranças.





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