A Roche Brasil anunciou a ampliação da licença parental para seis meses, válida para todos os colaboradores cujos filhos nascerem ou tiverem processos de adoção concluídos a partir de 1º de junho de 2026. A medida coloca a empresa entre as organizações que buscam ampliar o debate sobre corresponsabilidade no cuidado familiar e reduzir um dos fatores historicamente associados à desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres no ambiente corporativo, conforme comunicado oficial.
Corresponsabilidade no cuidado familiar
Segundo Lorice Scalise, presidente da divisão farmacêutica da Roche Brasil, a nova política busca atuar justamente sobre essa questão estrutural. “A participação dos homens é essencial para acelerar mudanças culturais duradouras”, avalia a companhia. A decisão também dialoga com evidências observadas em estudos internacionais sobre carreira e liderança feminina, que apontam que a ausência de licença parental igualitária cria uma barreira inicial que impacta toda a trajetória profissional, reduzindo a presença feminina nos níveis mais altos das organizações.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Impacto na equidade de gênero
Para Carlos Martins, presidente da divisão Diagnóstica da Roche Brasil, o avanço da equidade depende justamente da ampliação dessa participação. “Se queremos avançar de forma consistente, precisamos envolver os homens na transformação. Isso passa por ampliar a escuta, reconhecer vieses e criar condições reais para uma atuação mais consciente — e a licença parental é parte dessa construção”, destaca. Diversos estudos mostram que a participação ativa dos pais nos primeiros meses de vida das crianças está associada ao fortalecimento dos vínculos familiares, ao desenvolvimento infantil e à construção de relações mais equilibradas dentro dos lares.
Mudança cultural nas organizações
O objetivo da frente é estimular reflexões sobre comportamentos, vieses e práticas cotidianas que influenciam a construção de ambientes mais inclusivos. Para profissionais de Recursos Humanos, a iniciativa reforça uma tendência crescente no mercado: benefícios corporativos deixam de ser apenas instrumentos de atração de talentos e passam a atuar como mecanismos de transformação cultural. Mais do que ampliar um período de afastamento, a medida representa uma revisão das expectativas tradicionais sobre os papéis de homens e mulheres dentro e fora do trabalho.
Efeitos além do ambiente corporativo
Embora os reflexos da medida sejam significativos para o ambiente corporativo, seus efeitos podem ultrapassar os limites das organizações. Em um cenário no qual empresas buscam construir ambientes mais inclusivos, humanos e sustentáveis, políticas como a licença parental ampliada surgem como ferramentas capazes de fortalecer a equidade, impulsionar o engajamento e promover uma experiência mais equilibrada para os colaboradores. As orientações administrativas estão sendo compartilhadas internamente pela companhia, que não detalhou outros aspectos operacionais da implementação.




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