O alerta do Gartner: 1 em cada 4 candidatos será falso até 2028
Até 2028, um em cada quatro perfis de candidatos será falso, segundo projeção do Gartner. O alerta acende um sinal vermelho para empresas de todos os setores, especialmente no Brasil, onde o risco interno ainda é tratado como problema exclusivo do RH. Especialistas apontam que a adoção de programas de Know Your Employee (KYE) deixou de ser uma opção e se tornou uma necessidade estratégica e regulatória.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Risco interno: problema de RH ou compliance?
Empresas brasileiras ainda tratam risco interno como problema de RH. A constatação é de Simone Vollbrecht, Head de Compliance da VAAS, que vê nesse cenário uma fragilidade estrutural. Segundo ela, a maioria das empresas investe em diligência sobre clientes e fornecedores, mas negligencia o público com acesso direto a sistemas, dados sensíveis e decisões estratégicas. Essa lacuna expõe as organizações a fraudes, vazamentos e conflitos de interesse que poderiam ser evitados.
A advogada ressalta que a obrigação regulatória é o principal motor para a implementação do KYE, especialmente no setor financeiro. “Obrigação regulatória, não apenas boa prática”, afirma. Para ela, a profundidade da diligência deve ser calibrada pelo risco da função, não aplicada de forma uniforme. E alerta: o consentimento do empregado raramente será base legal válida, dada a assimetria de poder na relação de trabalho. “As bases mais seguras são obrigação legal ou regulatória e legítimo interesse, conforme a LGPD”, observa Vollbrecht.
Automação transforma KYE em proteção contínua
Para a executiva, a automação transforma o KYE de um processo burocrático pontual em uma camada contínua de proteção. Plataformas de compliance permitem cruzar bases públicas, listas restritivas, sanções internacionais e mídia adversa de forma recorrente, gerando alertas quando o perfil de risco de um colaborador muda, sem depender de verificações manuais que rapidamente se tornam obsoletas.
“O risco de um colaborador não é estático. Uma pessoa contratada sem nenhuma restrição pode, dois anos depois, aparecer em uma lista de sanções, ter um processo criminal ou desenvolver um conflito de interesse não declarado. Sem monitoramento contínuo, a empresa só descobre quando o dano já aconteceu”, conclui Simone.
Diante da projeção do Gartner e das exigências regulatórias, a implementação de programas robustos de KYE surge como um imperativo para empresas que desejam se proteger contra riscos internos e fraudes na contratação. A tecnologia, aliada a uma abordagem baseada em risco, oferece o caminho para transformar o compliance em um diferencial competitivo e de segurança.



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