A previdência complementar está deixando de ser vista apenas como um benefício para aposentadoria e ganhando espaço nas estratégias de Recursos Humanos como uma ferramenta de bem-estar financeiro. De acordo com Devanir Silva, diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), o envelhecimento da população, a baixa cultura previdenciária e a pressão sobre o sistema público tornam o tema estratégico para empresas e áreas de gestão de pessoas.
Mudança de percepção sobre previdência
Durante muito tempo, a previdência complementar foi associada quase exclusivamente à aposentadoria. Nos últimos anos, a agenda ESG ganhou espaço nas organizações, e o tema passou a ser integrado a políticas de bem-estar e sustentabilidade. No entanto, a previdência complementar fechada ainda está longe de alcançar todo o potencial do mercado de trabalho brasileiro.
Para Devanir, a principal explicação para a baixa abrangência está na baixa cultura previdenciária e financeira do país. Durante décadas, predominou a percepção de que a previdência pública seria suficiente para garantir estabilidade financeira depois da aposentadoria. Muitas empresas trataram a previdência complementar como um benefício voltado apenas a executivos ou profissionais de renda mais alta.
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Dados reforçam necessidade de ação
Segundo levantamento da Serasa citado por Devanir, 64% dos aposentados consideram o valor da aposentadoria insuficiente para manter o padrão de vida. Além disso, 53% dos aposentados precisaram continuar trabalhando para complementar a renda. Esses números evidenciam a fragilidade do planejamento financeiro da população idosa.
Uma população idosa sem planejamento adequado aumenta a pressão sobre famílias, políticas públicas e sistemas de saúde. Colaboradores inseguros em relação ao futuro financeiro podem apresentar maior ansiedade, menor engajamento e dificuldade para planejar transições de carreira.
Urgência social, econômica e empresarial
Para Devanir, o avanço da longevidade transforma a previdência complementar em uma urgência simultaneamente social, econômica e empresarial. Do ponto de vista social, as pessoas viverão mais tempo e precisarão sustentar períodos mais longos de aposentadoria. Do ponto de vista econômico, uma população mais envelhecida e sem renda adequada pode aumentar pressões sobre o orçamento público e sobre as famílias.
Sob a ótica empresarial, a falta de planejamento previdenciário pode afetar produtividade, permanência, sucessão geracional e saúde financeira dos colaboradores. Para Devanir, as empresas precisam incorporar educação financeira e previdenciária à cultura organizacional.
Atração e retenção de talentos
A previdência complementar fechada também pode ser uma ferramenta de atração e retenção de talentos. Devanir destaca a necessidade de democratizar o acesso à previdência complementar. A Abrapp tem defendido modelos mais flexíveis e acessíveis, conectados às novas relações de trabalho, com adesão simplificada e mecanismos de incentivo capazes de ampliar a cultura previdenciária no país.
Com a mudança no perfil dos trabalhadores e a busca por benefícios que promovam segurança financeira, a previdência complementar se consolida como um pilar do bem-estar financeiro nas organizações. O desafio, segundo Devanir, é superar a baixa cultura previdenciária e tornar o acesso mais democrático.
Fonte
- mundorh.com.br
- benefício corporativo (www.mundorh.com.br)




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