92% das mulheres alteram postura para obter respeito na liderança

92% das mulheres alteram postura para obter respeito na liderança

Uma pesquisa nacional da FESA Group revela que 91,9% das mulheres em cargos de liderança já precisaram modificar seu comportamento natural para obter respeito e reconhecimento no ambiente corporativo.

O estudo “Mulheres na liderança e alta gestão: barreiras para a ascensão aos espaços de decisão” ouviu 595 profissionais em todo o país. Os dados mostram que a dificuldade de ascensão feminina não está relacionada à capacidade técnica, mas a estruturas corporativas historicamente moldadas por padrões masculinos.

Modelos tradicionais de liderança

Associação com traços masculinos

Segundo a pesquisa, 86,1% das profissionais concordam que o modelo ideal de liderança ainda é associado a traços tradicionalmente masculinos. Esse cenário cria um ambiente onde as mulheres precisam constantemente se adaptar para serem validadas.

Avaliações diferenciadas

Além disso, 70,1% das entrevistadas relatam ter recebido avaliações diferentes das direcionadas a homens em situações profissionais similares. Esses números evidenciam como os vieses inconscientes continuam influenciando as oportunidades de crescimento.

Principais obstáculos ao crescimento

Para as profissionais ouvidas, os maiores obstáculos ao crescimento são subjetivos:

  • Cultura organizacional (66,1%)
  • Vieses inconscientes (61,8%)

Esses fatores superam as políticas de recursos humanos em relevância. Essa percepção sugere que mudanças estruturais profundas são necessárias para transformar o ambiente corporativo.

Abismo entre talento e reconhecimento

Ana Gusmão, vice-presidente e sócia da FESA Group, comenta que o estudo revela um abismo entre o talento das mulheres e os modelos tradicionais de comando ainda validados no mercado.

Segundo ela, enquanto mantivermos uma régua estreita de liderança, deixamos de reconhecer competências essenciais para o mundo empresarial de hoje. A executiva acrescenta que é hora de perguntar se nossos modelos atuais de liderança ainda servem aos desafios dos próximos anos.

Desigualdades persistentes

Recorte racial

Quando analisadas por recorte racial, as percepções de desigualdade se tornam ainda mais evidentes:

  • Entre mulheres pretas e pardas: 72,2% não enxergam igualdade no acesso à alta liderança
  • Entre mulheres brancas: esse percentual cai para 22,5%

Essa disparidade mostra como as barreiras se acumulam para determinados grupos dentro do universo feminino.

Ceticismo sobre iniciativas de diversidade

Além disso, 47,6% das respondentes consideram as iniciativas de diversidade de suas empresas como ações isoladas, sem impacto real na governança. Essa percepção sugere um ceticismo quanto à efetividade das medidas atualmente implementadas.

Caminho para transformação

A pesquisa da FESA Group deixa claro que a estagnação feminina no topo das empresas não decorre de falta de capacidade técnica, mas de uma estrutura corporativa moldada por códigos de comportamento historicamente dos homens.

Esse diagnóstico aponta para a necessidade de revisão profunda dos modelos organizacionais. As empresas que desejam promover mudanças reais precisam ir além das metas numéricas.

Os dados mostram que a maioria das profissionais já experimentou a necessidade de ajustar sua postura para obter respeito. Essa realidade exige uma reflexão sobre como as organizações avaliam e promovem talentos.

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