A busca por mais disposição, ganho muscular e vitalidade tem levado muitos homens à automedicação com testosterona. No entanto, especialistas alertam: o hormônio não é um suplemento inofensivo. O uso sem indicação médica pode trazer sérios riscos à saúde.
Para o urologista Adriano Fregonesi, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, envelhecer não é doença. Mas sintomas persistentes devem ser investigados com critério médico.
Diagnóstico exige avaliação criteriosa
O diagnóstico de deficiência de testosterona não pode ser feito apenas com base em sintomas. Muitos sinais atribuídos à testosterona baixa — como cansaço e alterações de humor — também podem estar relacionados a:
- Estresse
- Depressão
- Distúrbios do sono
- Sedentarismo
- Doenças cardiovasculares
- Uso de medicamentos
Homens com queixas persistentes, impacto na qualidade de vida ou fatores de risco — como obesidade, diabetes, síndrome metabólica, uso crônico de opioides ou doenças testiculares e pituitárias — devem procurar avaliação especializada.
Vídeo: YouTube | Fonte: mundorh.com.br
Testosterona não é suplemento
A Sociedade Brasileira de Urologia – Seção São Paulo reforça que sintomas como cansaço, sono ruim, obesidade e alterações da virilidade exigem diagnóstico correto e tratamento individualizado, quando necessário.
“Testosterona não é suplemento. É hormônio, é medicamento e interfere em vários sistemas do organismo”, destaca Fregonesi. Ele reforça que a testosterona não é fórmula para rejuvenescer e não substitui sono, exercício, alimentação, controle de peso e saúde mental.
Quando bem indicada, corrige uma deficiência; quando mal indicada, pode criar um novo problema.
Riscos do uso sem acompanhamento
O acompanhamento médico antes e durante qualquer tratamento é indispensável. A testosterona não atua apenas sobre libido ou músculos. Ela pode interferir em:
- Sangue
- Pressão arterial
- Sono
- Fertilidade
- Metabolismo
- Próstata
- Sistema cardiovascular
Muitos homens começam buscando mais disposição ou ganho muscular, mas passam a depender psicologicamente daquela sensação. Com o tempo, podem aumentar doses, combinar substâncias e perder o controle.
“O corpo masculino não foi feito para viver permanentemente em níveis hormonais artificiais e suprafisiológicos. Isso cobra um preço”, alerta Fregonesi.
Alternativas antes da reposição
Para Fregonesi, em muitos casos, o homem não precisa de testosterona. Precisa dormir melhor, tratar apneia, perder peso, controlar diabetes, reduzir álcool, treinar corretamente e cuidar da saúde mental.
“A testosterona pode dar uma sensação inicial de melhora, mas, sem indicação, pode criar riscos maiores do que os benefícios. Vitalidade não deve ser confundida com atalho hormonal”, afirma.
O que não deve ser feito, alerta, é vender a ideia de que testosterona é solução corporativa para performance, produtividade ou juventude. Isso seria um erro médico e ético.
Caminho para a saúde masculina
Um bom programa de saúde masculina deve estimular avaliação médica qualificada, educação em saúde e prevenção. O homem precisa entender seu corpo, seus riscos e suas escolhas — e não receber uma promessa fácil em forma de ampola, gel ou implante.
Depois disso, se houver sintomas persistentes, vale investigar a testosterona de forma adequada. O tratamento hormonal pode ter papel importante quando há deficiência comprovada, mas não deve ser usado como atalho para envelhecer melhor.
“Eu diria ao homem: não busque simplesmente testosterona alta. Busque saúde. Busque função, segurança, autonomia, vida sexual satisfatória e qualidade de vida”, resume Fregonesi. “Envelhecer bem não é tentar parecer artificialmente jovem. É preservar vitalidade com inteligência e responsabilidade.”
Fonte
- mundorh.com.br
- Por Mundo RH (www.mundorh.com.br)




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