Maternidade e carreira: competências que o mercado valoriza

Maternidade e carreira: competências que o mercado valoriza

Maternidade como escola de competências

A maternidade não precisa ser um obstáculo na carreira; ao contrário, pode ser uma escola de competências cada vez mais valorizadas no mundo corporativo. É o que defende Mariana Achutti, CEO da newnew, empresa de educação corporativa. Em análise recente, ela afirma que o mundo do trabalho ainda precisa abandonar a ideia de que mães são profissionais menos disponíveis.

Competências desenvolvidas na maternidade

Segundo Achutti, a maternidade pode ampliar repertório, maturidade, inteligência emocional e capacidade de decisão. Ela destaca que a experiência de criar filhos desenvolve competências como:

  • Priorização
  • Inteligência emocional
  • Comunicação objetiva
  • Adaptabilidade
  • Negociação
  • Tomada de decisão sob pressão
  • Gestão de energia
  • Resiliência

“A maternidade coloca mulheres diariamente diante de cenários de pressão, incerteza e tomada de decisão com pouca informação”, afirma a CEO. Para ela, isso fortalece uma musculatura extremamente valiosa para o trabalho atual.

Empresas perdem talentos ao desvalorizar mães

A executiva alerta que as empresas perdem talentos, diversidade, repertório e capacidade de inovação quando transformam a maternidade em obstáculo de carreira. O problema, segundo ela, não está na maternidade em si, mas em uma cultura que ainda associa valor profissional à disponibilidade irrestrita. “A maternidade não necessariamente acaba com a ambição; muitas vezes, ela reorganiza a ambição”, pondera Achutti.

Reorganização da ambição

Depois que uma mulher se torna mãe, o tempo passa a ter outro valor e a energia também, observa a CEO. A mulher passa a escolher melhor onde coloca sua energia, buscando menos validação vazia e mais valor real. Essa mudança de prioridades, longe de ser um problema, pode tornar a profissional mais focada e eficiente.

Parentalidade como tema de cultura corporativa

Mariana Achutti defende que as empresas tratem a parentalidade como tema de cultura, não apenas como benefício isolado. Licença, flexibilidade e acolhimento são importantes, mas não bastam se a cultura continua punindo quem cuida. Entre as práticas possíveis estão:

  • Programas estruturados de retorno pós-licença
  • Formação de lideranças para lidar com vieses
  • Revisão de critérios de promoção
  • Acompanhamento de dados de progressão de carreira de mães e pais
  • Ampliação da licença-paternidade
  • Criação de espaços reais de escuta

Futuro do trabalho: integrar vida e carreira

A CEO afirma que o futuro do trabalho passa por parar de separar artificialmente vida e carreira. “Eu não sou uma profissional boa apesar de ser mãe. Eu sou uma profissional melhor também porque sou mãe”, declara. Ela considera a discussão urgente para os profissionais de RH. Se as empresas realmente querem lideranças mais humanas, preparadas para pressão, capazes de negociar, priorizar, decidir e lidar com complexidade, precisam ampliar sua compreensão sobre onde essas competências são desenvolvidas. O que ainda diminui mulheres, alerta, é uma cultura corporativa que não aprendeu a enxergar isso.

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