Para Nara Iachan, CMO e cofundadora da Loyalme, a maternidade desenvolve competências essenciais para a liderança contemporânea, como priorização, escuta ativa, autonomia, tomada de decisão e capacidade de sustentar equipes em ambientes complexos. A provocação é direta para o RH e para as lideranças: se o mercado diz valorizar competências como foco, autonomia, empatia, adaptação e visão estratégica, por que ainda subestima experiências capazes de desenvolver exatamente essas habilidades?
Filtro rigoroso sobre tempo e energia
A maternidade, segundo Nara, trouxe um filtro mais rigoroso sobre o uso do tempo e da energia. Na visão dela, a maternidade ajudou a reduzir essa reatividade e trouxe mais clareza para as decisões, com menos ruído e mais foco no que realmente gera impacto. Para líderes de RH, esse ponto é especialmente importante, já que a cultura da urgência costuma contaminar toda a organização.
Em um mercado que ainda associa produtividade à velocidade, respeitar ritmos pode parecer contraintuitivo. No entanto, Nara ressalta: nem tudo que é urgente é importante. E nem tudo que é importante precisa ser feito com pressa. Essa visão não significa reduzir ambição ou desacelerar de forma generalizada. Significa saber quando acelerar e quando permitir maturação.
Liderança baseada em autonomia
A maternidade também influenciou a forma como Nara enxerga a liderança. Para ela, modelos baseados em controle tendem a gerar dependência, lentidão e sobrecarga. Para criar autonomia real, é preciso clareza. As pessoas precisam compreender objetivos, limites, responsabilidades e critérios de decisão.
Uma das competências mais difíceis para líderes é dizer “não”. Para identificar quais projetos, reuniões e demandas merecem energia e continuidade, Nara defende um critério central: impacto real no negócio e conexão com os objetivos estratégicos. Esse olhar ajuda a eliminar excessos, reduzir dispersão e manter foco no que realmente importa.
Tempo necessário, não desejado
A maternidade ensina que nem tudo acontece no tempo desejado, mas no tempo necessário. Para o RH, a discussão vai além de políticas de licença ou benefícios parentais. Ela envolve critérios de avaliação, promoção, sucessão, desenvolvimento de lideranças e cultura organizacional.
Ao reconhecer esse repertório, empresas não estão concedendo privilégio. Estão identificando valor onde antes enxergavam limitação. O mercado de trabalho precisa, portanto, atualizar sua leitura. Mães não são profissionais menos comprometidas por causa da maternidade.
Reconhecimento como potência
No fim, a pergunta que fica para empresas e RHs não é se a maternidade muda a forma de liderar. Ela muda. A pergunta mais importante é se as organizações estão preparadas para reconhecer essa mudança como potência, e não como perda.



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